A transfusão de hemácias no paciente séptico: prevalência transfusional e taxa de mortalidade
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Introdução: A transfusão sanguínea é feita com o intuito de aumentar a oferta de oxigênio aos tecidos, porém não é isenta de riscos. A lesão de armazenamento das hemácias e a imunomodulação do paciente transfundido têm fisiopatologia semelhante à lesão tecidual que ocorre na sepse. Logo, é importante considerar um possível efeito sinérgico da transfusão nos pacientes sépticos, considerando o risco da transfusão agravar disfunções orgânicas. Uma diminuição na taxa de transfusão desses pacientes pode diminuir a demanda de hemoderivados, o tempo de internação e a mortalidade. Métodos: Estudo observacional retrospectivo, com coleta de dados secundários e abordagem quantitativa, mediante prontuários de pacientes internados em Unidade de Terapia Intensiva em uso de antibioticoterapia não profilática em um Hospital Escola de Criciúma, Santa Catarina, nos anos 2019 e 2020. Resultados: Foram incluídos 152 pacientes divididos em 2 principais grupos: sépticos e não sépticos. Dentro desses grupos foram comparados aqueles que receberam transfusão sanguínea com aqueles que não a receberam. Dos 116 pacientes sépticos, houve maior tempo de internação (23 dias) e taxa de mortalidade (73,3%) nos transfundidos em relação aos não transfundidos (13 dias e 60,7% respectivamente). Nos 36 pacientes não sépticos foi observado o mesmo tempo de internação (12 dias), porém maior mortalidade nos transfundidos (57,1%) em relação aos não transfundidos (24,1%). Conclusão: A transfusão sanguínea mostrou um aumento da mortalidade em todos os grupos, mas foi mais significativo nos pacientes não sépticos, sugerindo que a transfusão tem pior desfecho nos pacientes que não possuíam disfunção microcirculatória previamente ao procedimento.
Descrição
Artigo submetido ao Curso de Medicina da UNESC como requisito parcial para obtenção do Título de Bacharel em Medicina.
