Perfil lipídico e declínio cognitivo em indivíduos com Diabetes Mellitus
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O aumento da expectativa de vida é um fenômeno mundial nos últimos anos, resultando em grande número de indivíduos idosos e consequente crescimento na incidência de doenças crônicas. O diabetes mellitus (DM) e a dislipidemia (DLP) são doenças crônicas associadas à inflamação sistêmica. Durante esse processo, podem
ocorrer alterações na função da barreira hematoencefálica que resultam na exposição do sistema nervoso central a células e mediadores inflamatórios periféricos, condição base para a ocorrência de alterações bioquímicas e celulares relacionadas ao surgimento de doenças neurodegenerativas. O presente projeto estudou a associação entre o perfil lipídico e o declínio cognitivo em pacientes com DM atendidos nas
Clínicas Integradas de uma Universidade do município de Criciúma, Santa Catarina. A função cognitiva foi o desfecho, avaliada a partir do Montreal Cognitive Assessment (MoCA) e as variáveis de perfil lipídico foram as exposições. O estudo identificou uma alta prevalência de declínio cognitivo (67,9%) na população analisada. Alterações no perfil lipídico também foram observadas, com LDL elevado em 70,4% dos participantes, triglicerídeos elevados em 50,7% e colesterol total elevado em 38,1%. Mulheres apresentaram maior prevalência de colesterol total (43,5%) e LDL elevado (75,6%), além de menor prevalência de HDL baixo (30,6%). O declínio cognitivo foi mais frequente em idosos (84,9%), pessoas com baixa escolaridade (90,4%), desempregados (77,9%) e indivíduos com renda mensal entre R$1.001,00 e R$2.000,00 (77,9%). Indivíduos com renda inferior a R$1.000,00 apresentaram maior prevalência de LDL elevado (81,6%). A qualidade e duração do sono influenciaram o declínio cognitivo, com 75% dos casos associados a sono prolongado e 77% a sono ruim ou muito ruim. Já tabagismo, qualidade da dieta e atividade física não apresentaram associação significativa com declínio cognitivo. Quanto ao tempo de diagnóstico, indivíduos com 11 a 15 anos de doença apresentaram maior prevalência de triglicerídeos elevados (65,2%). No entanto, não foi encontrada associação direta entre perfil lipídico e declínio cognitivo. Dessa forma, embora o estudo apresente algumas variáveis associadas ao declínio cognitivo ou ao perfil lipídico, não foi encontrada uma relação direta entre o perfil lipídico e o declínio cognitivo na população estudada.
Descrição
Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde para obtenção do título de Doutor em Ciências da Saúde.
