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    Adaptação transcultural e validação do Inventário da Narrativa Suicida e do Inventário da Crise de Suicídio para o português brasileiro
    Nascimento, Jefté Peper do; Valvassori, Samira da Silva
    Identificar o risco de suicídio em tempo oportuno é um dos maiores desafios da prática clínica. Estruturas teóricas, como o Modelo Narrativa-Crise do suicídio, contribuem significativamente para a compreensão e a prevenção do suicídio. Segundo esse modelo, o comportamento suicida evolui por meio de estágios distintos, nos quais se destacam a narrativa suicida e a síndrome de crise de suicídio (SCS). A narrativa suicida refere-se à história de vida do indivíduo, o qual desenvolve uma percepção distorcida sobre si mesmo, enxergando-se como um fardo para os outros e sem perspectiva de futuro. Por sua vez, a SCS, cujo elemento central é o sentimento de aprisionamento, descreve um estado mental agudo que antecede a tentativa de suicídio. Por esse motivo, a SCS vem sendo considerada como um diagnóstico específico do suicídio, com proposta de inclusão em edições futuras do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Apesar da validação internacional dos instrumentos destinados à avaliação da narrativa suicida e da SCS, sua eficácia e aplicabilidade ainda não foram testadas no Brasil. Portanto, o objetivo deste estudo foi avaliar a estrutura fatorial, a confiabilidade e a validade da versão brasileira do Inventário da Crise de Suicídio (SCI-2) e do Inventário da Narrativa Suicida (SNI-38) em uma amostra de adultos brasileiros. Foi realizada adaptação transcultural de ambos os instrumentos do inglês para o português do Brasil e aplicados online a 2.265 participantes. A análise fatorial confirmatória (AFC) foi utilizada para examinar se a estrutura fatorial, a consistência interna, a validade convergente e de critério de ambos os instrumentos seriam replicadas nas versões brasileiras. Considerou-se um bom ajuste do modelo quando a estatística χ2 foi não significativa, o índice de ajuste comparativo [CFI] ≥ 0,95, o índice de Tucker-Lewis [TLI] ≥ 0,95, o erro quadrático médio de aproximação [RMSEA] ≤ 0,08 e o resíduo médio padronizado [SRMR] ≤ 0,08. A amostra apresentou idade média de 31,27 (± 10,90) anos e foi composta predominantemente por mulheres (70,7%), indivíduos solteiros (38,9%) e com nível educacional superior (94,3%). A ideação suicida ao longo da vida foi relatada por 57,8% dos participantes. A AFC demonstrou que modelo de oito fatores do SNI-38 apresentou bom ajuste (χ² [637] = 7.473,98, p < 0,001; CFI = 0,99; TLI = 0,99; RMSEA = 0,07; SRMR = 0,06). Todos os itens do SNI-38 apresentaram cargas fatoriais significativas e positivas em seus respectivos fatores. A confiabilidade das subescalas variou de alta a boa, exceto para a subescala de desengajamento de metas. De forma semelhante, todas as subescalas do SNI-38, exceto “desengajamento de metas”, correlacionaram-se positivamente com a SCS, eventos de vida estressantes, ideação suicida (ao longo da vida/último mês) e tentativas de suicídio ao longo da vida. Em relação ao SCI-2, o modelo revisado unifatorial demonstrou um ajuste adequado, embora não ótimo (χ² [1539] = 31.442,79, p < 0,001; CFI = 0,99; TLI = 0,99; RMSEA = 0,09; SRMR = 0,05). Por outro lado, o modelo revisado de cinco fatores demonstrou um bom ajuste (χ² [1529] = 14.174,86, p < 0,001; CFI = 1,00; TLI = 1,00; RMSEA = 0,06; SRMR = 0,04). A comparação entre os dois modelos indicou que a estrutura de cinco fatores apresentou melhor qualidade de ajuste em relação ao modelo unifatorial. Tanto a pontuação total quanto as subescalas do SCI-2 apresentaram alta consistência interna, além de boa validade convergente e de critério por meio de associações significativas com eventos de vida estressantes, narrativa suicida (exceto com a subescala de desengajamento de metas), ideação suicida e tentativas de suicídio. Esses achados fornecem evidências de validade para a versão brasileira do SNI-38 e do SCI-2, indicando que são instrumentos apropriados e válidos para a avaliação dos sintomas da narrativa suicida e da SCS, respectivamente. Além disso, a validação desses instrumentos contribui para aprimorar a prática clínica na avaliação do risco de suicídio e abre portas para novas pesquisas no campo da suicidologia no Brasil.
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    Ayahuasca como estratégia psicofarmacológica em modelo experimental de dependência alcoólica e depressão
    Silva, Guilherme Lodetti da; Rico, Eduardo Pacheco; Réus, Gislaine Zilli
    O consumo excessivo de etanol é um problema de saúde pública em todo o mundo. Além disso, o transtorno por uso de álcool (TUA), a depressão e a ansiedade estão entre as doenças psiquiátricas mais prevalentes e frequentemente ocorrem em conjunto. Sobretudo, o transtorno depressivo maior é a comorbidade mais associada a indivíduos com TUA. A farmacoterapia utilizada para depressão e alcoolismo é amplamente prescrita para pacientes, no entanto, menos da metade dos indivíduos tratados atingem a remissão com apenas um tratamento. Além disso, muitos pacientes apresentam respostas farmacológicas intolerantes, o que enfatiza a necessidade de descobrir novas formas de tratamento. Os psicodélicos clássicos interagem com a classe de receptores de serotonina (5-HT) e, por isso, estão fortemente envolvidos no tratamento de doenças psiquiátricas, como depressão, ansiedade e abuso de substâncias, demonstrando grande potencial terapêutico. Especificamente, a Ayahuasca (AYA) é utilizada principalmente com a intenção de cura física ou espiritual, e os efeitos decorrentes de seu uso estão relacionados às triptaminas. Dessa forma, o presente estudo teve como objetivo avaliar os efeitos comportamentais e neuroquímicos do tratamento com AYA em ratos Wistar submetidos a um modelo animal de dependência alcoólica e/ou de depressão induzido por privação materna (PM). A exposição ao etanol iniciou-se no 60º dia de vida, com acesso contínuo e livre de escolha à comida, à água e a duas garrafas que oferecem etanol em diferentes concentrações (15% e 30% v/v) por 5 semanas. O consumo de etanol por animal foi medido em todos os grupos, em gramas de etanol/kg/dia. Depois, o álcool foi retirado por 9 dias. Um dia após, os animais receberam a administração de 2 mL/kg de AYA ou de água por gavagem. No dia seguinte ao tratamento, iniciou-se o paradigma de recaída, no qual os animais foram expostos novamente ao etanol por 9 dias para avaliar o comportamento aditivo. Além disso, para a indução do comportamento tipo depressivo, foi realizada a PM nos filhotes, 3 h/dia, durante 10 dias (1º ao 10º dia de vida). Com 60 dias, os animais submetidos a PM foram submetidos ao mesmo protocolo de condicionamento à dependência alcoólica. Posteriormente foram realizados os testes comportamentais e bioquímicos. A exposição crônica ao álcool por cinco semanas promoveu alterações comportamentais consistentes com um fenótipo de afetividade negativa, caracterizado por aumento de comportamentos tipo ansioso no teste de labirinto em cruz elevado e de comportamentos tipo depressivo no nado forçado e no teste de borrifo de sacarose. Além disso, resultados semelhantes foram observados nos animais submetidos à PM. No presente estudo, foram encontrados resultados neurocomportamentais que se sobrepõem entre as condições de alcoolismo e depressão induzida em modelo animal. Sugere-se que, embora os contextos em que esses transtornos ocorrem sejam diferentes, existem mecanismos fisiopatológicos comuns entre as duas condições, como a expressão de comportamentos tipo ansioso e tipo depressivo, bem como manifestações neuroquímicas, como a redução dos níveis do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), alterações em parâmetros de estresse oxidativo e defesas antioxidantes, e alterações nos níveis de monoaminas em regiões cerebrais específicas. Foi demonstrado também que os comportamentos tipo ansioso e tipo depressivo, bem como a redução dos níveis de BDNF, monoaminas e aumento de estresse oxidativo induzidos pelos dois modelos, foram revertidos pelo tratamento com uma dose única de AYA, demonstrando um potencial terapêutico importante para as duas condições. Por fim, os achados reforçam a importância do desenvolvimento de pesquisas translacionais que explorem biomarcadores compartilhados e novas abordagens farmacológicas capazes de modular simultaneamente os sistemas de recompensa e de regulação comportamental. A compreensão dessa interface é fundamental para melhorar o prognóstico, reduzir as recaídas e minimizar o impacto funcional e social dessas duas condições altamente prevalentes.
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    Estudo da resposta oxidativa e inflamatória do óleo de espectro completo rico em canabidiol à pneumonia pós-acidente vascular cerebral isquêmico experimental
    Martins, Carla Damasio; Petronilho, Fabricia
    O acidente vascular cerebral isquêmico (AVCi) é uma das principais causas de morbidade e mortalidade no mundo, frequentemente agravado por complicações infecciosas, como a pneumonia. Essas comorbidades intensificam a resposta inflamatória e o estresse oxidativo, contribuindo para o agravamento funcional e o aumento das sequelas neurológicas. Entre as estratégias terapêuticas alternativas, o óleo de espectro completo rico em canabidiol (FSC) tem sido descrito por suas propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes em modelos de neuroinflamação. Assim, neste estudo avaliou-se o potencial terapêutico do FSC sobre parâmetros comportamentais, inflamatórios e oxidativos em um modelo experimental de AVCi associado à pneumonia em ratos Wistar. Os animais foram submetidos à oclusão da artéria cerebral média (MCAO) por 60 minutos, seguidos de 3 dias de reperfusão, e posteriormente à inoculação pulmonar com Klebsiella pneumoniae. Os grupos experimentais receberam FSC (via oral) nos tempos 3 h, 24 h, 48 h e 72 h após a MCAO. Foram avaliados escore neurológico, variação de peso e temperatura corporal, além de marcadores inflamatórios (TNF-α, IL-1β, IL-6, IL-10) e oxidativos (TBARS, MPO, nitrito/nitrato, grupos sulfidrilas e catalase) no tecido cerebral (hipocampo e córtex frontal) e periférico (pulmão). Os resultados demonstraram que a pneumonia pós-AVCi exacerbou a resposta inflamatória e estresse oxidativo, evidenciada pelo aumento de MPO, nitrito/nitrato, TBARS, IL-1β, TNF e IL-6 no hipocampo e no pulmão. O tratamento com óleo FSC atenuou déficits neurológicos, reduziu citocinas pró-inflamatórias e marcadores oxidativos, aumentou a atividade de catalase e preservou grupos sulfidrilas, com maior impacto no hipocampo e no tecido pulmonar. Contudo, o FSC não restaurou plenamente os níveis de IL-10. Esses achados indicam o potencial terapêutico do FSC como intervenção adjuvante para mitigar sequelas sistêmicas e neurológicas pós-AVCi associado à pneumonia.
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    Desenvolvimento de imunógenos candidatos a vacina contra gonorreia
    Abel, Jessica da Silva; Ávila, Ricardo Andrez Machado de
    A gonorreia, infecção sexualmente transmissível causada por Neisseria gonorrhoeae, representa uma crescente ameaça à saúde pública global devido à alta incidência e à rápida disseminação de cepas resistentes a múltiplas classes de antibióticos, o que limita as opções terapêuticas disponíveis. Nesse contexto, o desenvolvimento de uma vacina eficaz é uma estratégia essencial para o controle da doença. O presente estudo teve como objetivo identificar e avaliar epítopos de células B e T, derivados de proteínas de membrana de N. gonorrhoeae, visando à construção de imunógenos candidatos à vacina. Inicialmente, foram selecionadas dez proteínas de membrana externa com alto potencial antigênico e realizada a predição in silico de epítopos lineares por meio dos preditores IEDB, ABCpred e Rankpep, resultando em 30 epítopos preditos, sendo 10 de células B e 20 de células T. A partir desses dados, foram desenhadas duas proteínas quiméricas, compostas pelos epítopos selecionados, e sintetizados 16 peptídeos individuais. As formulações foram utilizadas na imunização de camundongos BALB/c com adjuvante de Freund, e as respostas imunológicas foram avaliadas por ELISA, ensaio bactericida (SBA) e dosagem de citocinas (IL-4, IL-10, IL-12 e IFN-γ). Os resultados demonstraram que tanto os peptídeos quanto as proteínas quiméricas foram capazes de induzir respostas humorais e celulares significativas. A proteína quimérica de células B também apresentou expressão satisfatória, boa reatividade frente ao extrato proteico e geração de anticorpos funcionais. Dessa forma, os achados reforçam que a integração entre predição bioinformática e validação experimental é uma abordagem eficaz na seleção de epítopos e no desenvolvimento de vacinas baseadas em proteínas quiméricas, representando um avanço significativo rumo à obtenção de uma vacina contra a gonorreia.
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    Proposta de um novo protocolo de exercícios fonoaudiológicos na reabilitação da deglutição em idosos institucionalizados
    Capelari, Suelen; Budni, Josiane
    O envelhecimento é um processo natural, dinâmico e progressivo que representa um aumento da fragilidade ocasionado pelas modificações fisiológicas, bioquímicas, morfológicas e psicológicas que culminam em uma perda gradativa da capacidade de adaptação ao ambiente e aumento de dependência. À medida que se envelhece, a capacidade de deglutir de forma segura passa por modificações fisiológicas e anatômicas que podem beneficiar o risco de uma deglutição descoordenada, gerando complicações como má nutrição e desidratação, além de ser um dos principais fatores causadores de pneumonias em idosos. Estas alterações anatômicas ou do processo fisiológico da deglutição se caracterizam como disfagia, também chamada de presbifagia quando se refere a idosos. Diante do crescente aumento na expectativa de vida da população mundial se faz necessário um olhar cuidadoso sobre a saúde do idoso, principalmente aqueles institucionalizados. Portanto, o objetivo do estudo foi avaliar o efeito de um protocolo de exercícios fonoaudiológicos na reabilitação da deglutição em idosos institucionalizados. Foram recrutados idosos (idade ≥ 60 anos) de instituições de longa permanência (ILP) filantrópicas da cidade de Criciúma e Cocal do Sul (SC), que aceitaram participar do estudo. O número de idosos que aceitaram a participar do estudo e estavam dentro dos critérios de inclusão, foram 78 idosos institucionalizados. Ao aceitarem participar do estudo, os idosos assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. A partir de então, os idosos passaram pela primeira avaliação que envolveu a realização de uma entrevista e avaliação clínica em que o pesquisador aplicou o questionário sóciodemográfico e de saúde elaborado pela pesquisadora, o questionário EAT-10, o Mini exame do estado mental (MEEM), a escala de depressão, a escala de ansiedade, a avaliação das atividade básicas de vida diária, além da avaliação clínica da deglutição. Depois de 12 semanas sem intervenção, os indivíduos foram avaliados quanto a deglutição para analisar se a mesma seria alterada com o tempo. Em uma terceira etapa, os idosos foram submetidos a uma série de exercícios fonaudiaológicos durante 8 semanas, 3 vezes por semana. Depois disso, em uma quarta etapa foram aplicados os testes e questionários novamente. Os resultados do presente estudo mostra que a população de idosos institucionalizados, teve predomínio do sexo feminino, 56,3%, uma idade média de 76 anos, e estes indivíduos eram predominantemente solteiros e viúvos (32,4% e 35,2%). A escolaridade média foi primário incompleto, 36,6%. Foi observado que nesta população, 91,5% dos indivíduos, faz uso de algum tipo de medicamento e que 52% dos indivíduos são hipertensos. Esta população mostrou-se, na sua maioria (66,7%), com algum grau de dependência funcional. Também foi observado que 52,9% dos indivíduos apresentaram sintomas depressivos e 25,4%, sintomas de ansiedade. Além disso, 94,3% dos indivíduos apresentaram algum declínio cognitivo. Finalmente, a prevalência da disfagia dos idosos ou presbifagia, neste estudo, foi de 50% na primeira avaliação (etapa 1) e 62,3% na segunda avaliação (etapa 2), indicando pequeno aumento com o passar do tempo. Após a etapa 1 e etapa 2, foram aplicadas 8 semanas de intervenção. Pode-se observar que não houve melhora em todos os parâmetros analisados, contudo, a prevalência de disfagia, de 62,3% passou para 53,8%, representando certa estabilidade. Apesar de não apresentar diferença significativa, isso mostra um importante efeito da intervenção fonoaudiológica. Além disso, a mobilidade facial manteve-se preservada, assim como o loudness (volume vocal) basal, pitch (intensidade vocal) neutro e o refluxo esofágico. Mas não foi observado melhora no tempo máximo de fonação. Neste estudo também foi avaliado os fatores de risco para a disfagia. Foi observado que para um ponto a mais na escala do MEEM, há uma redução de 5% na probabilidade de disfagia após a intervenção. Além disso, para um ponto a mais na escala EAT-10, há um aumento de 3% no risco de disfagia após a intervenção. Portanto, conclui-se que os exercícios estagnaram o avançar da disfagia e os principais fatores de risco para disfagia envolvem o declínio cognitivo e a pontuação na escala EAT-10 é indicador de risco para disfagia. Além disso, os resultados deste trabalho permitiram elaborar um protocolo de triagem, a ser aplicados pelas ILPIs para idosos, que visa a prevenção e o diagnóstico precoce da disfagia.
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    Efeito do tratamento com antioxidante sobre as alterações comportamentais e neuroquímicas observadas em um modelo animal de diabetes
    Santos, Maria Augusta Bernardini dos; Zugno, Alexandra Ioppi; Quevedo, João; Reus, Gislaine Zilli
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    Avaliação do sistema glinfático e parâmetros oxidativos em um modelo animal de autismo
    Araújo, Simone Lespinasse; Gonçalves, Cinara Ludvig
    O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um grupo heterogêneo de transtornos do neurodesenvolvimento que apresentam déficits sociais e de comunicação, comportamentos repetitivos, interesses restritos e processamento sensorial anormal. Até 80% das crianças autistas têm pelo menos uma comorbidade médica, sendo os problemas de sono uma queixa comum e que pode afetar o neurodesenvolvimento pós-natal pois, durante o sono ocorre a eliminação dos resíduos metabólicos tóxicos pelo sistema glinfático, uma via de transporte de fluidos presente no cérebro identificada há cerca de 10 anos. Assim, o objetivo do presente estudo foi investigar a relação entre sistema glinfático e o TEA em um modelo animal VPA exposto. Para tanto, a indução do modelo animal foi realizada com a administração de 600 mg/Kg de ácido valpróico (VPA) no 12 º dia pré-natal e para validá-lo foram realizados testes de busca pelo ninho no dia pós-natal (DPN) 10, a geotaxia negativa no DPN 15, abrir dos olhos no DPN 12-16 e a medida do peso nos DPNs 9, 17, 25 e 30-39. Os animais foram divididos em dois protocolos, o primeiro identificou o tempo para disfunção do sistema glinfático e o segundo investigou os parâmetros de estresse oxidativo e os efeitos do tratamento com aripiprazol (ARIP). Os resultados do protocolo 1 evidenciaram que os animais do modelo precisaram de mais tempo para encontrar o ninho materno, para girar sobre o próprio eixo e para abrir os olhos. Além disso, foi encontrada uma disfunção significativa no sistema glinfático dos animais expostos ao VPA após a infusão do corante Azul de Evans (EBA) na cisterna magna. Já no protocolo 2, foi verificado que a exposição pré-natal ao VPA aumenta a oxidação de diacetado de 2’, 7’ - diclorofluoresceína (DCFH-DA) na amígdala e cerebelo, diminui o conteúdo de sulfidrilas (SH) na amígdala e diminui a atividade das enzimas superóxido dismutase e catalase no cerebelo. O tratamento com ARIP associado ao modelo animal de TEA por VPA prejudicou o ganho de peso dos animais, no entanto o ARIP melhorou os parâmetros de dano oxidativo (DCFH-DA e SH) na amígdala e cerebelo, além de aumentar a atividade da SOD neste último. Portanto, foi possível concluir que o modelo animal de TEA induzido por VPA prejudica o neurodesenvolvimento e o sistema glinfático e induz estresse oxidativo na amígdala e cerebelo dos animais. No entanto, o tratamento com ARIP parece ser capaz de reverter algumas alterações bioquímicas causadas pelo VPA.
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    Efeito da associação do uso de vitamina D na gestação e do ômega 3 na prole em um modelo experimental de Transtorno do Espectro Autista
    Souza, Maria Carolina Marciano de; Gonçalves, Cinara Ludvig
    O transtorno do espectro autista (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por prejuízos na interação social, comunicação verbal e não verbal, além de comportamentos restritos, repetitivos e estereotipados. Estudos sugerem que a deficiência de vitamina D (Vit.) durante a gestação e lactação pode estar associada ao risco aumentado de TEA. Além disso, a suplementação com ômega-3 tem sido relacionada à melhora de aspectos comportamentais e cognitivos nesses indivíduos. O objetivo do presente trabalho foi avaliar os efeitos da suplementação com Vit.D durante a gestação e do ômega-3 (ω−3) no período pós-natal em um modelo experimental de TEA induzido por ácido valpróico (VPA). Após a confirmação da gravidez (presença de espermatozoides na vagina), as ratas prenhes receberam gelatina suplementada com Vit.D (500 UI/dia) ou gelatina controle, do dia gestacional (DG) 1 ao 21. No DG 12,5, as fêmeas de cada grupo foram subdivididas e receberam, por via intraperitoneal, uma dose única de VPA (600 mg/kg) ou solução salina (SAL). Após o nascimento, os filhotes foram alocados em subgrupos que receberam tratamento com ω−3, por gavagem, do dia pós-natal (DPN) 14 ao 34. O delineamento experimental resultou em oito grupos: 1) SAL + Gelatina (gest.) + Óleo (pós-gest.); 2) SAL + Gelatina + ω−3 (pós-gest.); 3) SAL + Vit. D (gest.) + Óleo (pós-gest.); 4) SAL + Vit. D (gest.) + ω−3 (pós-gest.); 5) VPA + Gelatina (gest.) + Óleo (pós-gest.); 6) VPA + Gelatina (gest.) + ω−3 (pós-gest.); 7) VPA + Vit. D (gest.) + Óleo (pós-gest.); 8) VPA + Vit. D (gest.) + ω−3 (pós-gest.). As proles foram pesadas no DPN 9 e entre os DPN 14 e 34, e submetidas aos testes comportamentais de busca pelo ninho (DPN 10), geotaxia negativa (DPN 14), campo aberto e teste das três câmaras (ambos no DPN 35). No DPN 21, as proles foram desmamadas e as matrizes eutanasiadas. Após os testes comportamentais, os filhotes também foram eutanasiados. O sangue foi coletado, e os encéfalos foram dissecados em cerebelo e córtex posterior para análise bioquímica dos seguintes parâmetros: estresse oxidativo (oxidação de DCFH-DA, conteúdo de sulfidrilas, atividades das enzimas superóxido dismutase e catalase); níveis de TNF no soro e córtex posterior, e neurotrofinas (BDNF e NGF) no córtex posterior. Os resultados mostraram que a exposição ao VPA durante a gestação não resultou em atrasos no neurodesenvolvimento (maior tempo para encontrar o ninho e realizar a tarefa de geotaxia negativa), déficits sociais e redução do comportamento exploratório. Além disso, o VPA reduziu os níveis séricos de 25(OH)D nas matrizes, induziu dano oxidativo e alterou a atividade de enzimas antioxidantes no córtex posterior e cerebelo. A suplementação com vitamina D, isoladamente ou combinada ao ω−3, foi capaz de atenuar esses efeitos, promovendo aumento nos níveis séricos de 25(OH)D, melhora no neurodesenvolvimento, na sociabilidade, na atividade exploratória, na redução do dano oxidativo e na regulação das enzimas antioxidantes. Conclui-se que a suplementação com vitamina D atenuou de modo significativo os efeitos deletérios do VPA, embora não tenha revertido completamente o fenótipo autista. A associação entre vitamina D na gestação e ω−3 no período pós-natal não potencializa os efeitos na prevenção de danos associados ao TEA em modelo experimental.
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    Efeitos da banagem elástica compressiva em um modelo de inflamação aguda abdominal em animais
    Ferreira, Karina Borges; Silveira, Paulo Cesar Lock
    Diante do constante crescimento do número de cirurgias plásticas realizadas em todo o mundo, torna-se necessário evidenciar a importância da atuação fisioterapêutica na reabilitação dos pacientes submetidos a estes procedimentos. A utilização da bandagem elástica consiste na aplicação de fitas compressivas hipoalergênicas de algodão nas regiões operadas, de forma a reduzir o espaço morto, aproximar as aponeuroses, mobilizar e orientar o processo cicatricial constantemente e em diferentes direções, modificando a estrutura do colágeno cicatricial. Desta forma, o objetivo deste trabalho foi criar um modelo experimental para avaliar o efeito da terapia por uso das bandagens elásticas na resposta inflamatória aguda abdominal induzida por LPS. Foram utilizados 96 ratos Wistar divididos em dois grupos de 48 animais com objetivo de avaliar o processo inflamatório em dois tempos, de 24 e 72h. Estes dois grupos foram subdivididos em quatro grupos: I- Sham; II- LPS; III- bandagem elástica (BE); IV- LPS+bandagem elástica (BE). Para indução do modelo aplicamos injeção subcutânea de LPS 15mg/kg na região abdominal. A eficácia do protocolo foi medida por meio da avaliação da expressão gênica, FGF, NFκB e proteoglicanos, avaliação histológica, citocinas pró e anti-inflamatórias, estresse oxidativo, além da quantidade de leucócitos presentes no lavado subcutâneo. Nossos resultados demonstraram aumento significativo do número de leucócitos 72 horas após a administração subcutânea de LPS quando comparado ao grupo controle. Bem como o elevado influxo de células inflamatórias 24 horas e 72 horas após a indução que pode ser observado na análise histológica. Conclui-se que a bandagem elástica possui capacidade de modular o processo inflamatório através da redução na contagem de leucócitos e infiltrado de células inflamatórias no tecido subcutâneo. Simultaneamente, ocorre redução na expressão gênica de um dos principais fatores nucleares vinculados a inflamação, o NF-kB. Além da redução na expressão genica de IL-1β, e dos níveis proteicos de IL-1 β e TNF-α. Desta forma, é possível relatar que a aplicação compressiva da bandagem elástica evitou a amplificação da reposta inflamatória, e atuou como estímulo mecânico no comportamento hemodinâmico local e na dinâmica celular dos macrófagos. Assim como relatam a efetividade celular e molecular, e uma intervenção atualmente aplicável, demostrando a consistência e materiais elásticos compressivos em contribuir para o controle o infiltrado inflamatório, expressão gênica, níveis proteicos, mediadores inflamatórios e homeostase redox.
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    Efeitos da geleia real em mulheres pós-menopausa: revisão sistemática e meta-análise
    Stangherlin, Luana; Rosa, Maria Inês da
    A menopausa natural é definida como a cessação permanente dos períodos menstruais, determinada após 12 meses de amenorreia sem patologias associadas. Ocorre devido completa, ou quase completa, depleção folicular ovariana, em uma idade média de 51,4 anos. Dentre os sintomas mais comuns incluem-se os vasomotores, distúrbios do sono, psicossociais, alterações cognitivas, metabólicas, alteração da composição corporal, disfunção sexual, e sistema geniturinário. As estratégias terapêuticas para diminuir a sintomatologia incluem terapia hormonal da menopausa terapias não hormonais e terapias alternativas. Recentemente, a Geleia Real (GR) vem sendo usada como uma terapia alternativa para complementar o tratamento dos sintomas da menopausa, síndrome geniturinária, metabolismo ósseo e melhora da qualidade de vida de mulheres na pós-menopausa. O objetivo desta revisão foi avaliar os efeitos do usa da suplementação de GR em mulheres na pósmenopausa. O estudo caracterizou-se por uma revisão sistemática onde uma estratégia de busca foi desenvolvida utilizando os termos: “royal jelly” e “menopause” e seus sinônimos consultados no Medical Subject Headings (MeSH). Dois revisores, de forma independente, fizeram a leitura dos títulos e dos resumos dos estudos selecionados pelas estratégias de busca com o auxílio do software Rayyan. Os artigos potenciais para inclusão foram separados para leitura na íntegra. Discordâncias foram resolvidas por um terceiro revisor. Todos os estudos incluídos foram avaliados por sua qualidade metodológica. Os dados foram analisados no software RevMan 5.4. Foram identificados 281 estudos, 262 estudos foram direcionados para a leitura de títulos e resumos e 19 foram excluídos por não atenderem aos critérios de seleção. Um total de 14 estudos foram selecionados para leitura de texto completo. Ao final, seis estudos primários, envolvendo 471 mulheres preencheram os critérios e foram incluídos. Os estudos foram publicados entre os anos de 2011 e 2021. A partir da meta-análise, uma diferença significativa favorável ao grupo que utilizou suplementos a base da GR foi encontrada entre a intervenção e o placebo para avaliação da escala MRS na pósmenopausa SMD 0.73, (IC 95% 0.50 to 0.96), p<0.00001, I²= 0%, dois estudos, 312 participantes, qualidade moderada de evidencia. Também foram encontrados benefícios no metabolismo ósseo, nos sintomas geniturinários e na qualidade de vida. Contudo, devido às diferenças metodológicas entre os estudos, não foi possível realizar uma meta-análise para esses desfechos. Os resultados apresentados mostram que o consumo de GR apresenta uma diferença significativa favorável ao grupo que utilizou suplementos a base da GR comparados ao placebo.
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    Efeitos da combinação da privação de sono e modelo de doença de Parkinson em parâmetros comportamentais e neuroquímicos de ratos
    Guarda, Gisisane Bareta de Mathia; Réus, Gislaine Zilli
    A doença de Parkinson (DP) é uma desordem neurodegenerativa progressiva que afeta, predominantemente, os neurônios dopaminérgicos na substância nigra e está associada a sintomas motores e não motores, incluindo alterações no padrão de sono. A privação de sono (PS) pode agravar os sintomas da DP e, por outro lado, a própria neurodegeneração pode comprometer a qualidade do sono. Este estudo foi desenvolvido para investigar os efeitos bidirecionais entre a DP e a PS utilizando modelo animal. Este estudo objetivou explorar os efeitos da combinação entre a PS e a DP induzida por 6-hidroxidopamina (6-OHDA), avaliando suas influências mútuas em alterações comportamentais, atividade de complexos mitocondriais, e marcadores de estresse oxidativo em ratos. Para tal fim, foram utilizados ratos Wistar, divididos igualmente por sexo, submetidos a diferentes condições experimentais: 1) controle; 2) PS; 3) DP; 4) PS seguida de DP; e 5) DP seguida de PS. A PS foi induzida pelo método de plataforma única, enquanto a DP foi induzida por administração de 6-OHDA. Avaliações comportamentais incluíram testes de campo aberto e splash teste para medir a atividade locomotora e anedonia, respectivamente. Além disso, foi avaliada a atividade dos complexos mitocondriais I e II, atividade da succinato desidrogenase, níveis de peroxidação lipídica, níveis de carbonil, concentração de nitrito/nitrato, atividade da mieloperoxidase e das enzimas antioxidantes catalase e superóxido dismutase (SOD) no cérebro. Observou-se que a DP e a PS impactaram, diferencialmente, as variáveis analisadas. A DP elevou a atividade dos complexos mitocondriais e aumentou os marcadores de estresse oxidativo. A PS mostrou efeitos variáveis, dependendo da sequência de exposição e do sexo dos animais, influenciando de forma distinta a atividade locomotora e o comportamento anedônico. Os marcadores de estresse oxidativo também variaram, com algumas estruturas cerebrais apresentando maior sensibilidade aos efeitos combinados de DP e PS. Este estudo confirmou que a DP e a PS possuem efeitos bidirecionais, influenciando-se mutuamente de maneira complexa. A interação entre condições neurodegenerativas e a privação de sono sugere que a gestão da qualidade do sono pode ser um componente crucial no manejo clínico da DP. A resposta diferencial observada entre sexos e entre estruturas cerebrais específicas destaca a necessidade de abordagens personalizadas e mais direcionadas, tanto no tratamento quanto na investigação futura da DP. Esses achados enfatizam a importância de considerar os fatores de estilo de vida, como o sono, na compreensão e tratamento da fisiopatologia da DP, indicando caminhos para pesquisas futuras focadas em intervenções que modifiquem, tanto aspectos neurodegenerativos quanto comportamentais associados à doença.
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    Disfunção do sistema glinfático, neuroinflamação e dano cognitivo após modelo experimental de meningite pneumocócica
    Santo, Roberta Rodrigues do Espírito; Barichello, Tatiana; Generoso, Jaqueline da Silva
    A meningite pneumocócica é uma grave infecção no sistema nervoso central, que causa intensa inflamação das meninges, sendo considerada uma condição com alto risco de vida e altas taxas de mortalidade. A resposta imune do hospedeiro aumenta a permeabilidade da barreira hematoencefálica, permitindo que as células imunes periféricas cheguem ao líquido cefalorraquidiano aumentando a produção e consequente deposição de detritos. O transporte da BHE e as depurações glinfáticas são mecanismos interdependentes, e a disfunção de ambos pode dificultar a depuração de solutos do cérebro para os linfonodos. O objetivo do presente estudo foi avaliar a funcionalidade do sistema glinfático e sua relação com a disfunção cognitiva em longo prazo em modelo experimental de meningite pneumocócica. A atividade do sistema glinfático e parâmetros comportamentais foi avaliada após a indução de meningite em ratos Wistar adultos em 3 protocolos. Os animais receberam injeção na cisterna magna de 10 μL de suspensão de Streptococcus pneumoniae ou LCR artificial para o grupo controle. Para avaliação do sistema glinfático, os ratos receberam, após a indução, injeção com 25 μL de albumina mais azul de Evans (EBA) e foram eutanasiados em 4, 24 e 72 horas após a indução para coleta de soro e encéfalo. No segundo protocolo, os animais do grupo meningite receberam ceftriaxona e não houve injeção de EBA. Outros animais foram utilizados para o teste comportamental de habituação a campo aberto realizado após 10 dias após a indução. Como resultados, o grupo com meningite apresentou um comprometimento significativo do sistema glinfático ao reter o EBA nos compartimentos do LCR em comparação ao grupo controle, aumento de neuroinflamação e dano neuronal. Relacionada à perda da funcionalidade do sistema glinfático houve consequente acúmulo de componentes pneumocócicos, como a citotoxina Ply e a cápsula polissacarídica, no espaço subaracnóideo perivascular. Esses eventos podem culminar para o comprometimento cognitivo visualizado em 10 dias após o modelo experimental. Pela primeira vez verificou-se que o comprometimento do transporte de solutos entre o espaço subaracnóideo perivascular e o parênquima cerebral ocorre devido ao descolamento dos pés astrocíticos da BHE, com provável perda da função fisiológica dos canais de água AQP4 de transporte de soluto dentro do sistema glinfático.
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    Efeito da administração de metilfenidato sobre a cadeia respiratória mitocondrial e creatina quinase em cérebro de ratos jovens e adultos
    Fagundes, Ana Olinda Nicknick; Streck, Emilio Luiz; Quevedo, João
    O metilfenidato é frequentemente prescrito para o tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Sabe-se que os psicoestimulantes podem causar alterações neuroquímicas e comportamentais, quando usados cronicamente. Os mecanismos responsáveis pelos efeitos terapêuticos e adversos desse fármaco ainda são pouco conhecidos. Estudos já demonstraram que o metilfenidato altera a atividade metabólica cerebral. A maior parte da energia celular é obtida pela fosforilação oxidativa, na cadeia respiratória mitocondrial. Tecidos com alta demanda energética, como o cérebro, possuem grandes quantidades de mitocôndria. O objetivo desse trabalho foi medir a atividade dos complexos I, II, III e IV da cadeia respiratória mitocondrial e da creatina quinase em cerebelo, córtex pré-frontal, hipocampo, estriado e córtex cerebral de ratos jovens e adultos submetidos à administração aguda e crônica de metilfenidato nas doses de 2, 5, 10mg/kg/dia. Os resultados mostram que os complexos I e III não foram alterados pela administração crônica de metilfenidato em cérebro de ratos jovens. No entanto, a administração aguda diminuiu a atividade do complexo I no cerebelo e córtex pré-frontal, sem afetar os demais complexos. A administração aguda e crônica de metilfenidato causou inibição de todos os complexos da cadeia respiratória mitocondrial no hipocampo, córtex pré-frontal, estriado e córtex cerebral de ratos adultos. Por outro lado, não alteraram suas atividades em cerebelo. A creatina quinase teve sua atividade aumentada após a administração aguda do fármaco no córtex pré-frontal, hipocampo, estriado e córtex cerebral. O mesmo não foi evidenciado em cerebelo de ratos adultos e jovens. Na administração crônica, o metilfenidato também aumentou a atividade enzimática nessas regiões cerebrais, bem como no cerebelo dos animais jovens e adultos. Esse trabalho demonstrou que o metilfenidato exerce efeitos sobre a cadeia respiratória mitocondrial e creatina quinase, que são de fundamental importância na regulação, regeneração e manutenção do ATP.
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    Efeito da suplementação com probióticos em indivíduos idosos com declínio cognitivo leve e Doença de Alzheimer residentes no sul do Brasil
    Medeiros, Eduarda Behenck; Budni, Josiane; Walss-Bass, Consuelo
    O envelhecimento populacional está em ascensão, trazendo consigo mudanças associadas à senescência ou à senilidade. Entre os órgãos e sistemas mais afetados por esse processo, o sistema nervoso central (SNC) destaca-se como um dos principais, devido à sua vulnerabilidade às alterações funcionais e estruturais associadas ao envelhecimento. Com isso, capacidades funcionais declinam progressivamente, há alteração da capacidade cognitiva e memória. Somado a isso, a doença de Alzheimer (DA) é a demência que mais acomete a população de idosos, e o seu diagnóstico pode em muitos casos ser precedido pelo Declínio Cognitivo Leve (DCL). Além das alterações perceptíveis, há também as alterações que acometem diretamente o SNC, como aumento dos níveis das citocinas pró-inflamatórias, disfunção microglial e morte neuronal. O processo inflamatório relacionado ao envelhecimento é bem descrito, mas nos últimos anos vem se buscando compreender melhor a relação da disbiose, e consequente alteração da microbiota intestinal com essas alterações a nível de SNC no envelhecimento. Somado a essa hipótese os probióticos estão ganhando força como uma estratégia terapêutica. A partir disso, este estudo teve como objetivo a avaliação do efeito dos probióticos nos parâmetros cognitivos, inflamatórios e neurotróficos em idosos controles, com DCL e DA. Para sua execução, foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob nº 7.041.292, e registrado no Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos (ReBEC) sob o número RBR-9gccx5c. A pesquisa foi realizada com indivíduos com idade ≥60 anos, de ambos os sexos, residentes em instituições de longa permanência, com diagnóstico clínico de DCL ou DA, ou ausência deles para compor o grupo controle. No primeiro momento, também denominado tempo 1 (T1), foi aplicado questionário sociodemográfico, testes cognitivos e coleta de material biológico. Após isso, os idosos foram randomizados de forma aleatória recebendo cápsulas de placebo ou blend de probióticos. Após 12 semanas de tratamento todos, tempo 2 (T2), os testes foram repetidos, possibilitando assim um comparativo entre o pré- e pós-tratamento. A amostra foi composta por 53 indivíduos (16 controles, 18 DCL e 19 DA). Os idosos do grupo DA foram significativamente mais velhos, e houve uma homogeneidade entre os sexos. Quando comparado os resultados dos testes cognitivos aplicados (Miniexame do estado mental (MEEM), teste do desenho do relógio (TDR) e teste de fluência verbal (TFV) os idosos do grupo controle apresentaram escores mais altos e significativamente melhores do que os idosos com DCL ou DA. Nas análises de modelos lineares mistos a maior parte dos achados significativos se relacionou com a diferença de tempo, ou seja, T1 e T2, sem influência do tratamento. Foi observado então um aumento de IL-1β, IL-6, TGF-β e uma diminuição de IL-4, IL-10, e BDNF quando comparado T1 com T2. Nas análises dos níveis da citocina TNF-α, e das neurotrofinas GDNF e NGF houve uma interação entre as variáveis tempo e tratamento, sendo em TNF-α e GDNF um aumento dos níveis desses marcadores no grupo controle suplementado com probiótico e em NGF a diferença esteve presente no grupo DCL. Com os resultados do presente estudo é possível concluir que o tempo possui influência nas alterações chaves do envelhecimento, e em alguns casos como das neurotrofinas, GDNF e NGF, o probiótico teve uma tendência a elevar seus níveis. No entanto, a heterogeneidade entre os indivíduos e a necessidade de mais pesquisas limitam as conclusões definitivas. Os resultados destacam a importância de estudos personalizados para explorar o papel da microbiota intestinal na saúde cerebral.
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    Nanopartículas de ouro biossitetisadas com curcumina associadas com fotobiomodulação potencializam o reparo tecidual de feridas palatinas
    Tannús, Sinara Mesquita Guimarães; Silveira, Paulo Cesar Lock
    As feridas palatinas representam um desafio significativo para a cicatrização, caracterizandose por uma resposta inflamatória exacerbada e remodelação tecidual inadequada podendo comprometer o reparo completo. As nanopartículas de ouro biossintetisadascom curcumina (GNPs-Cur) e as nanocurcuminas apresentam propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e moduladoras da atividade celular, mostrando ser uma alternativa promissora no tratamento das lesões teciduais orais. Além disso, intervenção de tratamento com fotobiomodulação (FBM) tem sido estudada por seu potencial em modular a inflamação e acelerar a regeneração tecidual. Desta forma, este estudo teve como objetivo avaliar os efeitos dessas abordagens terapêuticas, GNPs-Cur, nanocurcumina e FBM em feridas palatinas induzidas experimentalmente. Foram utilizados 72 ratos Wistar, distribuídos randomicamente em seis grupos experimentais (n=12): I. (FP) Ferida Palatina); II. (FP+nanocurcumina); III. (FP+GNPs); IV. (FP+FBM); V (FP+nanocurcumina+FBM) VI (FP+GNPs-Cur+FBM). Os tratamentos foram iniciados no segundo dia pós-lesão e aplicados por 5 dias consecutivos. Avaliaram-se parâmetros de contração da ferida, infiltrado inflamatório, porcentagem da área de colágeno, análise da expressão gênica de CD11, NRF2 e COL III, níveis de citocinas pró-inflamatórias e antiinflamatórias, e indicadores de estresse oxidativo. Os resultados indicaram que o grupo FP+GNPs-Cur+FBM apresentou maior porcentagem da contração da ferida e redução significativa do infiltrado inflamatório. Além aumento da expressão de citocinas antiinflamatórias (IL-10 e TGF-β) e redução de citocinas pró-inflamatórias (IL-1β), sugerindo uma modulação eficaz da resposta inflamatória. Nos parâmetros de estresse oxidativo, este grupo apresentou redução do nitrito e aumento da atividade antioxidante da SOD. Além disso, o aumento na expressão de NRF2 e COL III confirmou a promoção de um ambiente regenerativo e a formação de uma matriz de colágeno. Conclui-se que a combinação de GNPs-Cur e FBM favoreceu o reparo tecidual em feridas palatinas, mostrando-se promissora para tratamentos regenerativos em lesões complexas.
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    Desenvolvimento de um sorodiagnóstico para Sífilis a partir de epítopos de proteínas da Treponema pallidum
    Machado, Lara Cândida de Souza; Ávila, Ricardo Andrez Machado de
    A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível bacteriana tendo como agente etiológico a Treponema pallidum. Atualmente é um problema de saúde pública, sendo que em certas regiões do mundo a prevalência tem aumentado significativamente. Em 2023, o Brasil registrou 242.826 casos de sífilis adquirida, com uma taxa de detecção de 113,8 casos por 100.000 habitantes. Apesar dos avanços na prevenção e no tratamento, a falta de diagnóstico precoce e a continuidade do tratamento ainda são barreiras significativas. A sífilis apresenta quatro estágios, sendo eles, o primário, secundário, latente e terciário ou também chamado de forma tardia. O diagnóstico é bastante complexo, realizado com base na história clínica, exame físico, semiologia e testes laboratoriais complementares, os quais consistem nos testes treponêmicos e não treponêmicos. Contudo, os atuais exames laboratoriais confirmatórios são muitas vezes ineficazes, gerando falso-resultados bem como levando a imprecisão do diagnóstico das fases da sífilis. Neste contexto, este trabalho propôs o desenvolvimento de uma plataforma de teste sorológico, ultrassensível, baseado em peptídeos de epítopos específicos provenientes de proteínas imuno dominantes altamente antigênicas e imunogênicas. Os participantes foram amostrados por meio de um estudo transversal. Assim, o perfil epidemiológico dos participantes foi determinado. O estudo transversal de acurácia diagnóstica foi executado avaliado a acurácia, sensibilidade, especificidade e valores preditivos do teste índice como uma ferramenta de vigilância para exposição à sífilis. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Universidade de Rio Verde – Goiás/UNIRV sob o número de protocolo CAAE: 59241322.0.0000.5077. Os epítopos das cinco proteínas de antígenos imunodominantes Tp0171 (Tp15), Tp0435 (Tp17), Tp0574 (Tp47), Tp0684 e Tp0453 foram desenhados por ferramentas de bioinformática e peptídeos miméticos destes epítopos foram sintetizados quimicamente. Foram utilizados cinco peptídeos como antígenos em ELISA contra amostras de soro de sífilis positiva ou não infetados (n=84). Após, os peptídeos de melhor performance diagnóstica foram utilizados para monitorizar a eficácia do tratamento da sífilis (n=122). Entre os peptídeos avaliados para o diagnóstico, o CETp0435 apresentou um desempenho de diagnóstico superior, alcançando 100% de sensibilidade e especificidade com elevada acurácia. Os peptídeos CETp0171 e CETp0574 demonstraram um elevado desempenho de diagnóstico, com sensibilidade superior a 83% e especificidade superior a 90%. Os peptídeos CETp0684 e CETp0453 apresentaram uma sensibilidade superior a 80% e 90%, respetivamente, no entanto, o CETp0453 apresentou uma especificidade reduzida (~66%). Os peptídeos CETp0435 e CETp0171 demonstraram uma elevada acurácia de diagnóstico em todos os estágios da sífilis, com uma sensibilidade superior a 83% e uma especificidade superior a 97%. O CETp0435 alcançou 100% de sensibilidade e especificidade nos estágios primário, secundário e latente, enquanto o CETp0171 demonstrou um excelente desempenho na sífilis secundária e elevada acurácia nos estágios primário e latente. Após, os peptídeos CETp0435 e CETp0171 foram efetivos no monitoramento da eficácia do tratamento da sífilis, como evidenciado pelo declínio significativo dos níveis de anticorpos nos soros após o tratamento, apoiando o seu potencial como biomarcadores para avaliar a eficácia terapêutica. Ao final deste estudo obteve-se dois peptídeos, CETp0435 e CETp0171, como antígenos vantajosos para o sorodiagnóstico e o monitoramento do tratamento. A predição de epítopos via bioinformática permitiu o desenvolvimento de plataformas ELISA que oferecem ferramentas promissoras para uma melhor deteção da sífilis além de alternativa de teste treponêmico no monitoramento da abordagem terapêutica para sífilis, atualmente avaliada somente por testes não treponêmicos.
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    Interação entre parâmetros bioquímicos, perfil psicossocial e avaliação de estresse e raiva em indivíduos privados de liberdade: um estudo transversal
    Alves, Cristiane da Silva Vieira; Rico, Eduardo Pacheco,
    O Brasil possui a terceira maior população carcerária do mundo refletindo políticas de endurecimento penal e desigualdades sociais. O sistema prisional enfrenta superlotação, condições precárias e altas taxas de reincidência, apontando para a necessidade de reformas. O comportamento criminoso está intrinsecamente ligado a uma série de fatores sociais, econômicos e culturais que configuram os contextos de vulnerabilidade em que os indivíduos estão inseridos. O crime é um fenômeno complexo influenciado por fatores biopsicossociais, como estresse, pobreza e desestruturação familiar. São escassas as pesquisas que integram a análise de marcadores bioquímicos como cortisol e testosterona com avaliações psicológicas detalhadas no perfil de presidiários. Uma compreensão aprimorada das interações biopsicossociais associadas ao estresse permite subsidiar estratégias preventivas e terapêuticas mais efetivas, contribuindo para a redução da violência e o bem-estar da sociedade brasileira. Relacionar perfil biopsicossocial, graus de ansiedade, impulsividade e raiva com níveis de cortisol e testosterona. Foi realizado um estudo quanti-qualitativo, observacional, analítico, prospectivo e transversal com detentos de um presídio regional no sul de Santa Catarina. Níveis de cortisol e testosterona foram quantificados em amostras de saliva e o perfil biopsicossocial foi traçado através de testes, escalas e entrevista semiestruturada. As variáveis foram expressas por meio de média e desvio padrão ou frequência e porcentagem. As análises inferenciais foram realizadas com um nível de significância α = 0,05. A investigação da existência de associação entre ansiedade, impulsividade, raiva com os níveis de marcadores bioquímicos foi feita pelo Teste T de Student. A amostra foi composta por 44 indivíduos com idade média de 31,5 ± 7,8 anos. O tempo médio de detenção foi de 37,5 ± 32,3 meses. A pontuação média na Escala de Impulsividade de Barratt (BIS-11) foi de 67,6 ± 10,4. De acordo com a Escala de Hamilton, 27,3% dos participantes não apresentavam sintomas de ansiedade, 27,3% apresentaram ansiedade temporária, 31,8% ansiedade moderada e 13,6% ansiedade grave. O exame de cortisol apresentou uma média de 11,2 ± 5,2. Os níveis de cortisol e testosterona foram avaliados em relação aos níveis de ansiedade, sem apresentar diferenças estatisticamente significativas. Para os componentes de raiva, observou-se uma correlação positiva significativa entre os níveis de testosterona e o traço de raiva na faixa etária de 20 a 29 anos. No entanto, nas outras faixas etárias, as correlações não foram significativas. Revelou-se uma correlação positiva significativa entre o nível de cortisol e a impulsividade no subdomínio BIS motora. Para outros subdomínios como o BIS atencional e o BIS não planejamento não foram encontradas correlações significativas com o cortisol. No ambiente prisional, os comportamentos impulsivos podem estar mais diretamente relacionados ao estresse fisiológico representado pelos níveis de cortisol, enquanto a raiva e seu controle podem ser influenciados por dinâmicas sociais, regras implícitas e adaptação ao contexto. Isso explicaria por que a correlação significativa ocorre apenas para a impulsividade motora. Além disso, a modulação emocional em prisões frequentemente depende de estratégias sociais para evitar conflitos, o que pode diminuir a força da relação entre cortisol e os componentes de raiva.
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    Avaliação da citotoxidade do fluoruracil associado a nanopartículas de ouro em linhagem celular de câncer coloreetal do tipo adenocarcinoma
    Moreira, Cinthia Cardoso; Ávila, Ricardo Andrez Machado de
    O câncer é a segunda principal causa de morte no mundo. No Brasil, a neoplasia de intestino ocupa o terceiro lugar em ambos os sexos. Atualmente, milhões de pessoas com câncer conseguem prolongar suas vidas devido ao diagnóstico precoce e rápido início do tratamento, o qual envolve cirurgia, radioterapia, quimioterapia e/ou hormonioterapia. Entretanto, mesmo atingindo resultados satisfatórios em muitos casos, estas opções terapêuticas podem levar danos as células e aos tecidos que não estão doentes, causando toxicidade e efeitos colaterais aos indivíduos submetidos a esses tipos de tratamentos. Um dos fármacos mais utilizados para o tratamento do câncer intestinal é o 5-Fluorouracil (5-FU), cujos eventos adversos mais comumente encontrados são as alterações gastrointestinais e hematológicas, que muitas vezes limitam seu uso nos pacientes. Por outro lado, vários estudos recentes demonstram o papel das nanotecnologias, em especial das nanopartículas de ouro (NPAu), como ferramentas promissoras no tratamento de neoplasias malignas, sendo utilizada como carreadoras de fármacos devido a suas propriedades de ressonância plasmônica de superfície, capacidade de fluorescência e biocompatibilidade. Todas estas características fazem com que estas partículas possuam notáveis benefícios, oferecendo muitas possibilidades para serem exploradas como agentes terapêuticos e diagnósticos na oncologia. Somados a isto, a natureza não tóxica e não imunogênica das NPAu, a alta permeabilidade e o efeito de retenção, proporcionam benefícios adicionais que permitem facilmente a penetração e o acúmulo seletivo de agentes terapêuticos no microambiente tumoral. Essas características abrem possibilidades para melhorar a especificidade e a eficácia dos tratamentos, reduzindo os danos colaterais aos tecidos saudáveis. Diante disso, a presente tese teve como objetivo avaliar os efeitos citotóxicos da associação do 5-FU às NPAu em células da linhagem Caco-2, derivadas de adenocarcinoma colorretal. Foram analisadas a atividade hemolítica pelo ensaio de hemólise, a citotoxicidade dos tratamentos e associações, pelo ensaio viabilidade celular, e os níveis de danos ao DNA induzidos pela associação entre 5-FU e NPAu pelo ensaio cometa. Para isso, foram utilizadas células tumorais Caco-2 e células normais NIH/3T3 (fibroblastos de camundongo). As células foram expostas a diferentes concentrações de 5-FU, NPAu, e à combinação de ambos, por períodos de 24 e 48 horas. Os resultados obtidos demonstraram a síntese bem-sucedida das NPAu, confirmada pela espectrofotometria UV-Vis. A análise do potencial zeta revelou que a associação com o 5-FU alterou significativamente a carga superficial das NPAu, sugerindo a formação de uma camada do fármaco sobre as nanopartículas, o que pode influenciar sua estabilidade coloidal e comportamento biológico. Além disso, a análise do índice de polidispersão (IPd) mostrou que a adição do 5-FU resultou em um aumento no diâmetro hidrodinâmico das NPAu, indicando a formação de uma estrutura mais estável em função da concentração do fármaco. No ensaio de viabilidade celular, o 5-FU associado a NPAu potencializou o efeito antineoplásico em células tumorais em concentrações mais baixas do fármaco, sendo provavelmente possível assim reduzir sua citotoxicidade em células normais. Além disso, a análise de danos ao DNA, por meio do ensaio cometa, revelou que a associação entre NPAu e 5-FU reduziu os níveis de danos genotóxicos quando comparada ao 5-FU isolado, sugerindo um efeito protetor das NPAu. Estes achados indicam que as NPAu funcionalizadas com 5-FU apresentam estabilidade coloidal aprimorada, baixa citotoxicidade inicial e potencial para minimizar efeitos adversos do fármaco convencional, destacando seu potencial para aplicações terapêuticas futuras.
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    Impactos genéticos e bioquímicos da ingestão materna de maltodextrina e sacarose durante a gestação na programação metabólica da prole de camundongos
    Alecrim, Whayne; Andrade, Vanessa Moraes de; Magenis, Marina Lummertz
    Eventos metabólicos precoces no período uterino podem aumentar a suscetibilidade a doenças crônicas na vida adulta. A nutrição fetal e neonatal, com excesso de açúcares, pode levar a distúrbios como obesidade, resistência insulínica e diabetes. Este estudo avaliou os efeitos do consumo de maltodextrina e sacarose em fêmeas de camundongos Swiss tratadas durante a gestação e lactação, bem como em sua prole. Utilizaram-se casais de 60 dias de vida, com intervenções nutricionais (maltodextrina 10%/L ou sacarose 10%/L ou na água) durante a cópula, gestação e lactação (7, 21 e 21 dias, respectivamente), totalizando 49 dias. Após, as fêmeas foram eutanasiadas para análises genéticas (ensaio cometa, teste de micronúcleo) e bioquímicas (glicemia e cadeia transportadora de elétrons). Também foram monitorados consumo alimentar e peso corporal das fêmea. A prole (machos e fêmeas), após o nascimento, foi acompanhada aos 21 e 30 dias de vida, sendo realizadas análises genéticas (ensaio cometa, teste de micronúcleo), bioquímicas (glicemia, estresse oxidativo e cadeia transportadora de elétrons) e peso corporal. Os resultados mostraram que maltodextrina e sacarose aumentaram a ingestão de líquidos e calorias, sem alterar o peso corporal das fêmeas. O grupo sacarose apresentou glicemia de jejum significativamente maior (149,5 ± 19,5 mg/dL) que o controle (122,0 ± 7,7 mg/dL). O ensaio cometa mostrou aumento do dano ao DNA nas fêmeas após a gestação e lactação em todos os grupos, sendo maior no córtex para maltodextrina (p < 0,05), mas sem diferenças no fígado e hipocampo. O teste de micronúcleos revelou aumento de micronúcleos em EPC no grupo maltodextrina (p < 0,05). Na cadeia respiratória, o Complexo I aumentou no fígado das fêmeas tratadas com ambos os carboidratos e o Complexo II-III diminuiu no grupo sacarose. No córtex, ambos carboidratos aumentaram a atividade do Complexo II e reduziram a do Complexo IV. No hipocampo, a atividade do Complexo I aumentou nos dois grupos, sendo o Complexo IV maior no maltodextrina. O estresse oxidativo foi evidente, com redução de sulfidrilas no córtex para maltodextrina e maior dano oxidativo no grupo sacarose. Na prole, os machos do grupo sacarose apresentaram maior peso corporal aos 21 dias (9,3 ± 1,7 g vs. 8,8 ± 1,3 g no controle), e a glicemia aumentou significativamente nas fêmeas aos 30 dias. O ensaio cometa mostrou aumento dos danos ao DNA no sangue e no córtex das fêmeas (p < 0,05) em ambos os grupos. No sangue dos machos, houve dano ao DNA aos 21 dias para ambos os carboidratos e aos 30 dias apenas no grupo sacarose (p < 0,05). O teste de micronúcleos revelou aumento de micronúcleos em EPC no grupo sacarose aos 30 dias em ambos os sexos (p < 0,05). A proporção EPC/ENC permaneceu inalterada. Na cadeia respiratória, o Complexo I aumentou no fígado dos machos tratados com ambos os carboidratos, e o Complexo II diminuiu no grupo maltodextrina (p < 0,05). No córtex, o Complexo II foi maior no grupo sacarose, e no hipocampo, o Complexo I aumentou nos dois grupos. Nas fêmeas, no fígado, a atividade do Complexo I aumentou, e no córtex, o Complexo I e II foram maiores no grupo sacarose. No hipocampo, o Complexo II foi menor no maltodextrina, mas maior no grupo sacarose. O estresse oxidativo foi mais evidente nos machos do grupo sacarose, com aumento da atividade da SOD no córtex. Nas fêmeas, a atividade de SOD foi maior no grupo sacarose (p < 0,05), sugerindo uma resposta antioxidante diferencial entre os sexos. Esses achados sugerem que o consumo de maltodextrina e sacarose durante gestação e lactação pode induzir alterações metabólicas, genéticas e oxidativas com potenciais impactos na saúde das mães e da prole a longo prazo, reforçando a importância do controle do consumo de açúcares nesses períodos críticos de gestação e lactação.