Efeitos do ácido quinurênico nos padrões ansiogênicos induzidos pela exposição repetitiva ao álcool no peixe-zebra

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O abuso de álcool é um grave problema de saúde pública e, apesar das opções terapêuticas disponíveis, há uma necessidade crescente de novas abordagens farmacológicas. O ácido quinurênico (KYNA) é uma molécula promissora, conhecida por antagonizar receptores glutamatérgicos e atuar como neuromodulador e neuroprotetor endógeno. Estudos indicam que o KYNA regula respostas afetivas e cognitivas, mostrando potencial ansiolítico, o que o torna relevante na psicofarmacologia. Nesse contexto, o peixe-zebra é um modelo experimental amplamente utilizado devido à sua sensibilidade ao etanol, especialmente em protocolos de exposição repetida ao etanol (ERE). Este modelo é valioso por mimetizar alvos moleculares humanos, facilitando a investigação de compostos que afetam comportamentos relacionados à privação de álcool. Neste estudo, peixes-zebra foram divididos em quatro grupos: G1 (Controle), G2 (Etanol, 1% por 20min/dia por 8 dias), G3 (KYNA, 20 μM por 20 minutos no oitavo dia) e G4 (Etanol+KYNA). O comportamento foi avaliado pelo teste novel tank, e parâmetros como distância percorrida, velocidade média, tempo móvel, entradas, permanência nas diferentes regiões do tanque (topo, meio e fundo), além dos episódios, tempo e latência de freezing, foram analisados. Nos parâmetros bioquímicos, a captação de glutamato e a atividade da acetilcolinesterase (AChE) foram mensuradas. Os resultados demonstraram que o etanol reduziu significativamente a atividade da AChE nos peixes, com efeito parcialmente revertido pelo KYNA no grupo G4. Em relação à captação de glutamato, o etanol reduziu esse parâmetro, enquanto o KYNA não apresentou diferenças estatisticamente significativas em comparação ao controle. No comportamento exploratório, o etanol diminuiu a distância percorrida, sugerindo aumento da ansiedade, enquanto o KYNA não alterou esse parâmetro isoladamente, mas promoveu uma recuperação parcial da atividade locomotora quando administrado após a exposição ao etanol. No entanto, essa recuperação foi inferior ao controle. Os peixes expostos ao etanol também passaram mais tempo no fundo do tanque, evidenciando um comportamento ansioso, e o KYNA não conseguiu reverter completamente essas alterações. Além disso, o etanol aumentou os episódios, tempo e latência de freezing, sem melhora significativa com o tratamento com KYNA. Estes achados sugerem que, embora o KYNA tenha efeitos ansiolíticos e moduladores parciais, seus efeitos não foram suficientes para reverter todos os prejuízos causados pelo etanol no modelo de ERE em peixe-zebra, indicando que novos estudos são necessários para explorar seu potencial terapêutico.

Descrição

Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Ciências da Saúde da Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC, para obtenção do título de Mestre em Ciências da Saúde.

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