A influência do capital psicológico no envolvimento familiar em famílias empresárias e o papel da orientação empreendedora
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As empresas familiares desempenham papel central no desenvolvimento socioeconômico, sendo responsáveis por parcela significativa da geração de empregos e da produção de riqueza. Nesse contexto, compreender suas dinâmicas, desafios e práticas de gestão torna-se fundamental para a promoção da sustentabilidade e do crescimento de longo prazo. A continuidade dessas organizações está fortemente associada à qualidade das relações familiares, aos processos sucessórios e ao interesse dos herdeiros em se envolver com o negócio. Este estudo investiga o envolvimento familiar como elemento estratégico que abrange o compromisso com a continuidade, valores e reputação da família empresária. Paralelamente, a orientação empreendedora surge como fator essencial para a inovação e adaptação competitiva, enquanto o capital psicológico oferece a lente para compreender como recursos psicológicos positivos influenciam comportamentos estratégicos e o engajamento familiar. O objetivo desta pesquisa foi analisar a influência do capital psicológico na orientação empreendedora e no envolvimento familiar em famílias empresárias. Especificamente, buscou-se caracterizar os níveis desses construtos, testar a relação direta entre capital psicológico e orientação empreendedora, examinar a relação entre orientação empreendedora e envolvimento familiar, e verificar o papel mediador nessa relação. A metodologia consistiu em uma abordagem quantitativa e descritiva, sob a lógica hipotético-dedutiva, operacionalizada via levantamento seccional. A coleta de dados ocorreu no segundo semestre de 2025, utilizando questionário estruturado com escalas validadas. A amostra não probabilística reuniu 80 empresas familiares (predominantemente do Sul de Santa Catarina), totalizando 148 gestores, cujas respostas foram agregadas ao nível organizacional. A análise dos dados foi realizada por meio de Modelagem de Equações Estruturais (SEM) via software SmartPLS 4.0. Os resultados do modelo estrutural revelaram que o capital psicológico exerce influência positiva e significativa sobre a orientação empreendedora, indicando que recursos psicológicos favorecem comportamentos inovadores e proativos. Constatou-se também que a orientação empreendedora apresenta relação positiva com o envolvimento familiar, sugerindo que a busca por autonomia e o equilíbrio entre tradição e inovação fortalecem o controle e a proeminência da família no negócio. Adicionalmente, confirmou-se o papel mediador da orientação empreendedora na relação entre capital psicológico e envolvimento familiar. Conclui-se que os recursos psicológicos individuais são fundamentais para o desenvolvimento de posturas estratégicas que fortalecem o vínculo da família com a organização. O estudo contribui para a literatura ao evidenciar que a longevidade das empresas familiares depende da integração entre fatores econômicos, a qualidade das relações humanas e o desenvolvimento de capacidades psicológicas, oferecendo subsídios relevantes para práticas de governança, coesão familiar e sucessão. Esses achados reforçam o debate sobre estratégias capazes de sustentar a continuidade dos negócios familiares, com impactos que extrapolam o âmbito organizacional e alcançam famílias, comunidades e o desenvolvimento socioeconômico local.
Descrição
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Socioeconômico – PPGDS, mestrado, da Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Desenvolvimento Socioeconômico
