Homens do mar: experiências de trabalhadores/pescadores na pesca artesanal em Passo de Torres/SC

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Esta dissertação analisa as experiências de trabalho dos pescadores artesanais embarcados no município de Passo de Torres, Santa Catarina, caracterizando o perfil desses trabalhadores. O estudo investiga como se processam as relações laborais e sociais dessa categoria, marcada por uma histórica vulnerabilidade socioeconômica e pela crescente precarização do ofício no contexto capitalista contemporâneo. Metodologicamente, a pesquisa fundamenta-se na História Oral, utilizando entrevistas com pescadores e representantes da Colônia de Pescadores Z-18, além de observação direta intensiva — incluindo saídas a campo em embarcações de emalhe — e análise de dados quantitativos do Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP). Teoricamente, o trabalho ancora-se no conceito de "experiência" de E. P. Thompson, buscando compreender como as pressões do ser social agem sobre a consciência dos trabalhadores, e na análise das relações de poder e hegemonia. No primeiro capítulo, contextualiza-se o desenvolvimento da pesca em Passo de Torres, evidenciando como a atividade foi fundamental para a construção da identidade local antes mesmo da emancipação política do município. Analisa-se o papel da Colônia Z-18, identificando que, embora possua relevância histórica como mediadora de políticas públicas e direitos, a instituição apresenta fragilidades em sua representatividade atual perante a classe. O segundo capítulo foca na subjetividade dos "homens do mar", revelando uma categoria heterogênea que opera em uma "zona cinzenta" entre a pesca artesanal e a industrial. Os resultados apontam para uma banalização da informalidade e do uso de substâncias entorpecentes como mecanismos de adaptação às duras jornadas em alto-mar, onde a ausência de registros profissionais adequados vulnerabiliza o trabalhador diante de riscos de invalidez e acidentes. O terceiro capítulo caracteriza o perfil do pescador passotorrense, composto majoritariamente por indivíduos com baixo nível de instrução formal e renda variável. Discute-se o impacto da incorporação tecnológica que, se por um lado amplia a segurança, por outro facilita o acesso de mão de obra desqualificada, favorecendo o interesse de empresários em detrimento da transmissão dos saberes tradicionais. A pesquisa destaca, ainda, a relação conflituosa com a legislação ambiental e a centralidade da "questão da barra" do rio Mampituba — local de recorrentes naufrágios fatais — como o principal símbolo da negligência estatal e da luta coletiva da categoria. Conclui-se que a experiência de classe desses trabalhadores é forjada na tensão entre a tradição do ofício e a precarização neoliberal, exigindo o reconhecimento de sua identidade para além das fronteiras do mercado.

Descrição

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Socioeconômico da Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Desenvolvimento Socioeconômico.

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