A atuação da mídia e a construção social da criminalidade – a contradição entre a espetacularização dos crimes selecionados pelo sistema penal e a imunidade nos crimes do colarinho branco
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As agências de controle penal tendem a perseguir certos tipos de crime e a mídia ao divulgá-los diariamente, transmite a ideia de que aqueles que cometem pequenos furtos, roubos, traficam ou receptam são o cerne do problema criminal no Brasil. Entretanto, muitas vezes esquecem a real dimensão dos danos provocados por tais criminosos se comparados aos oriundos daqueles praticados elevado status sociais, que possuem funções de destaque em grandes corporações e que detêm influência e respeito perante a sociedade, mas que no conforto de seus escritórios, desviam milhões de reais dos cofres públicos, que poderiam ser utilizados em áreas da saúde, educação e segurança que tanto precisam de tais recursos. A mídia e seus programas sensacionalistas têm grande influência na construção social da criminalidade, quando explora o crime como mercadoria, criando a face do inimigo da sociedade, sempre representado pelo sujeito oriundo das classes mais subalternas. Nessa perspectiva, o presente estudo tem como tema central à análise da mídia e a construção social da criminalidade, principalmente no que tange a dicotomia entre a espetacularização dos crimes selecionados pelo sistema e a imunidade dos crimes praticados por agentes de colarinho branco. Utilizou-se como metodologia o método dedutivo de abordagem, através de pesquisa teórica e exploratória de livros, revistas especializadas, artigos científicos, bem como consulta à legislação e a rede mundial de computadores. Em síntese, os resultados alcançados demonstram que a mídia tem papel fundamental na construção social da criminalidade, relegitimando as agências de controle formal (Polícia, Ministério Público, Judiciário) na perseguição das camadas mais pobres da população. Conclui-se que, embora ultimamente tenha se dado algum espaço nos meios de comunicação aos crimes do colarinho branco, o tratamento dado a eles é extremamente mais benevolente se comparado aos criminosos habitualmente perseguidos pelo sistema. A sociedade ainda não criou etiquetas e estereótipos a esses criminosos, talvez por não ter a dimensão da danosidade que tais praticas trazem à sociedade e isso se deve também, ao “acobertamento” dado pela mídia na proteção ou no silêncio perante tais crimes.
Descrição
Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado para obtenção do grau de Bacharel no curso de Direito da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC.
