Transtornos alimentares, imagem corporal e estado nutricional de adolescentes
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Adolescentes experimentam intensas mudanças biológicas, cognitivas,
emocionais e sociais, sendo expostos a diversos fatores de risco à saúde. Por outro
lado, na busca de sua autonomia, vivenciam um importante momento para adoção
de novas práticas e comportamentos. Nesse contexto, o ambiente escolar poderia,
por um lado, ser espaço de reprodução de comportamentos de risco; contudo, por
outro, constituir lócus importante para detecção de riscos e promoção da saúde.
Objetivos: Avaliar a associação da imagem corporal com risco para transtornos
alimentares e estado nutricional em escolares. Métodos: Estudo transversal
realizado com escolares de 10 a 19 anos de uma instituição Filantrópica do Extremo
Sul Catarinense. Foram avaliadas, através de questionários, as variáveis
demográficas, socioeconômicas, comportamentais e de saúde mental. Além disso,
foram aferidas, por entrevistadores treinados, as medidas antropométricas. Realizouse
análise descritiva das variáveis estudadas bem como análise bruta da associação
entre percepção da imagem corporal, estado nutricional e risco de transtorno
alimentar. Para avaliar as associações, foi utilizado teste de Qui-quadrado de
Pearson considerando nível de significância de 5%. Para a realização das análises
foi utilizado o programa SPSS versão 22.0. Resultados: Dos 279 escolares
estudados, 27% deles foram classificados como tendo excesso de peso pela
avaliação do índice de massa corporal. As prevalências foram maiores ao se avaliar
o estado nutricional pelas pregas cutâneas e pela bioimpedância (33,9% e 29,6%,
respectivamente). Observou-se também que os adolescentes que apresentavam
excesso de peso estavam mais insatisfeitos com sua imagem corporal quando
comparados aos que não tinham excesso de peso (82,4% vs 59,1%,
respectivamente). Além disso, aqueles estudantes que foram classificados como
tendo risco de transtorno alimentar apresentaram maior insatisfação com sua
imagem corporal quando comparados aos que não tinham risco de transtorno
alimentar (80,8% vs 61,2%, respectivamente). Conclusão: Independentemente do
método utilizado para avaliar o estado nutricional, os adolescentes classificados com
excesso de peso estão mais insatisfeitos com a sua imagem corporal. Além disso, a
insatisfação corporal esteve também relacionada ao risco de transtornos
alimentares. Desta forma, faz-se necessária à implementação de ações educativas
nas escolas que visem prevenir a obesidade e, consequentemente, busquem uma
melhor aceitação do corpo pelos adolescentes, garantindo, assim, melhor saúde e
qualidade de vida desta população.
Descrição
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-
Graduação em Saúde Coletiva (Mestrado
Profissional) da Universidade do Extremo Sul
Catarinense - UNESC, como requisito para a
obtenção do título de Mestre em Saúde
Coletiva.
