As relações étnico/raciais no curso normal do Colégio Madre Teresa Michel de Criciúma/SC no olhar das alunas negras (1960-1973)
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O presente Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) buscou compreender como se davam as relações étnico/raciais no Curso Normal do Colégio Madre Teresa Michel de Criciúma/SC no olhar das alunas negras (1960-1973), bem como perceber se durante o percurso da carreira docente estas alunas vivenciaram situações de preconceito. Com o intuito de aprofundar mais este estudo, foram estabelecidos alguns objetivos específicos: identificar o número de alunas negras no Curso Normal; observar se as alunas negras vivenciaram situações de preconceito no curso Normal; conhecer as classes sociais que estavam representadas nas turmas do Curso Normal; compreender como as alunas negras mantinham suas despesas; analisar como a direção da escola e seu corpo docente lidavam com a presença de alunas negras e perceber os motivos que levaram as alunas negras a optarem pela profissão docente. A partir de um olhar critico, buscou-se leituras sobre memória, história oral e diversidade étnico/racial. Além disso, foram entrevistadas ex-alunas negras, por meio da metodologia da História Oral, identificadas a partir dos quadros de formaturas do Curso Normal do colégio (1960-1973). Com a grande procura que houve para frequentar o Curso Normal, e com as poucas vagas disponíveis as Irmãs viram que a realização da seleção era o único meio de solucionar este problema. No olhar das alunas negras, as relações étnico/raciais ocorriam no Curso Normal MTM de forma igualitária, não havendo exclusão. Percebeu-se que estas alunas eram, em sua maioria, oriundas de famílias operárias mineiras. Por já terem o Curso Normal Regional, atuavam já como docentes, pagavam seus próprios estudos, eram casadas e viam no magistério uma forma de ascender socialmente, pois para elas - mulheres negras -, o ingresso no magistério se configurou em uma das estratégias encontradas para burlarem o preconceito do qual eram alvos. As situações de preconceito no Curso Normal aparece de forma velada no depoimento das ex-alunas, no entanto a pouca presença das mulheres negras denuncia o preconceito de que elas já eram alvo. Ao contrário do que foi manifestado sobre a experiência no Curso Normal, o preconceito ficou muito evidenciado na atuação como professoras. Pouco foi a presença de alunas negras no Curso Normal do Colégio Madre Tereza Michel, pois de 1960 a 1973, das/os 1.050 alunas/os que se formaram apenas 19 eram negras, representando 1,8% das/os alunas/os. Sendo assim, pode-se inferir que a presença das alunas negras era insignificante no magistério naquele momento da história da educação da região e que este dado revela a exclusão vivenciada pelas mesmas no Curso Normal.
Descrição
Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado para obtenção do grau de licenciatura no curso de Pedagogia da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC.
