Avaliação da exposição gestacional ao valproato de sódio combinado a privação materna em um modelo animal de autismo

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Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio complexo e geneticamente heterogêneo caracterizado por comprometimento das habilidades sociais e de comunicação, além de comportamentos estereotipados e um repertório restrito de interesses e atividades. Estudos mostram que o TEA afeta 1 em cada 100 crianças em todo o mundo com prevalência em homens na proporção de quatro vezes mais (4:1) que as mulheres. Apresenta etiopatogenia multifatorial provinda da interação complexa entre fatores genéticos e ambientais. Essa multiplicidade de fatores dificultam a concretização de sua fisiopatologia. Estudos demonstram que fatores gestacionais como complicações durante a gravidez, exposição a produtos químicos, processo inflamatório materno durante a gestação, epigenética, e disfunção mitocondrial podem afetar o neurodesenvolvimento e estão associados ao TEA. Objetivo: caracterizar os efeitos da exposição gestacional ao valproato de sódio combinado à privação materna sob parâmetros comportamentais, inflamatórios e de estresse oxidativo. Metodologia: Foi utilizado o modelo animal de autismo através de indução química por administração de ácido valpróico (VPA) pré-natal, associado à privação materna (PM) pós-natal. No décimo segundo dia de gestação (DG12), as ratas Wistar grávidas receberam 600mg/kg de VPA (grupo VPA-expostos) ou salina (grupo SAL-expostos), via intraperitoneal. Ao nascimento, as proles VPA-expostos e SAL-expostos foram subdivididos em grupos: I) “privação materna” e II) “sem-privação materna”, para realização do experimento. A privação materna ocorreu do 1º ao 10º dia pós-natal, durante 3 h/dia. Os parâmetros comportamentais de interação social e avaliação locomotora, foram avaliados nos dias 25 e 28 pós-natal. No 30º dia pós-natal, os animais foram eutanasiados e o cérebro removido para isolamento do córtex, pré-frontal e cerebelo para análise de parâmetros estresse oxidativo. Resultados: O modelo VPA demonstrou alterações significativas no teste de interação social, conforme observado em humanos com TEA. Na análise molecular, para identificar comprometimento estrutural e funcional, os dados estatísticos demonstraram que o grupo VPA+PM apresentou alteração significativa dos níveis de todos os marcadores de estresse oxidativo utilizados dicloroidrofluoresceína (DCF), proteína carbonil, sulfidrila, óxido nítrico e diminuição da defesa antioxidante de glutationa reduzida (GSH) e superóxido dismutase (SOD). Conclusão: O protocolo de VPA+PM proposto neste estudo se mostrou funcional com alcance dos objetivos traçados pela pesquisa. Se mostrou como um modelo complexo e com alterações que perduraram na juventude. Estudos futuros são sugeridos para uma melhor investigação dos mecanismos fisiológicos promovidos pela associação do modelo VPA+PM, deste modo, processos ainda não compreendidos podem ser avaliados direcionando tratamento mais eficientes e menos custosos aos indivíduos com TEA e para suas famílias.

Descrição

Dissertação de Mestrado apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Universidade do Extremo Sul Catarinense para obtenção do título de Mestre em Ciências da Saúde.

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