Trabalho (re)produtivo e projeto de vida de mulheres beneficiárias do programa bolsa família de Urussanga/SC
Data
Autores
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
A presente tese analisou como o trabalho produtivo e reprodutivo constituem os projetos de vida de mulheres beneficiárias do PBF no município de Urussanga/SC. Situa-se entre as temáticas de gênero e políticas públicas. Desigualdades de gênero também se expressam na criação de políticas públicas que, de certo modo, reforçam lugares de vulnerabilidade ocupados por mulheres na sociedade, como é o caso do
Programa Bolsa Família (PBF), um Programa de Transferência de Renda Condicionada, com objetivo de possibilitar que milhares de famílias superem a situação de pobreza e extrema pobreza por meio do benefício e do acesso à saúde, educação e assistência social. Mulheres em situação de vulnerabilidade enfrentam
impasses que dificultam sua emancipação, como: o desempenho do trabalho de cuidado, o ingresso ou não no trabalho produtivo e a necessidade de realizar o trabalho reprodutivo, interpelam seus projetos de vida. Diante do exposto, esta tese teve como objetivo geral analisar como os trabalhos reprodutivo e produtivo,
marcadores interseccionais de classe, gênero, raça e geração constituem projetos de vida de mulheres beneficiárias do PBF do município de Urussanga/SC. Quanto aos procedimentos metodológicos, foram realizadas pesquisas bibliográfica, documental e de campo. Na pesquisa de campo, foram entrevistadas oito mulheres beneficiárias do PBF de Urussanga, virtual e presencialmente. A identificação e seleção das
beneficiárias se deu por meio do Cadastro Único de mulheres cadastradas no PBF, no ano de 2021, residentes em territórios urbano e rural. A realização das entrevistas ocorreu no início do ano de 2022, em meio à transição para o Programa Auxílio Brasil (PAB) e extinção do PBF, durante a pandemia da COVID-19. A análise das informações seguiu uma abordagem qualitativa, por meio da análise de conteúdo. Entre as principais categorias analíticas, destacam-se os arranjos familiares das participantes e relações de conjugalidade, em grande medida, apontadas como centrais para acessarem o PBF. Observou-se que o sofrimento mental e as violências estiveram presentes na vida das participantes, vivenciadas em relações traumáticas, pela condição de vida e insegurança socioeconômica. Foi possível identificar que a maioria das participantes assumiu a responsabilidade em relação aos cuidados dos/as filhos/as e por integrantes da família. Identificou-se que as múltiplas jornadas de trabalho das mulheres limitou possibilidades de melhores condições de trabalho produtivo, consequentemente, dificultando o acesso à renda e à superação do ciclo
da pobreza. O benefício do PBF foi de crucial importância para a manutenção da família e possibilidade de planejamento familiar. Os projetos de vida relatados visaram constituir uma vida digna para as beneficiárias e suas famílias, com moradia própria (segurança para criação e futuro dos filhos/as), trabalho formal (com renda fixa) e qualificação educacional (para pleitear melhores cargos de trabalho).
Descrição
Tese apresentado ao Programa de Pós-Graduação em desenvolvimento socioeconômico da Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC, como requisito parcial para a obtenção do título de Doutora em Desenvolvimento Socioeconômico.
