Dieta de Athene Cunicularia (Molina, 1782) (Aves: Strigiformes) em ambiente antrópico no sul de Santa Catarina

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Athene cunicularia (Molina, 1782) (coruja-buraqueira) é uma espécie de ave sinantrópica, que nidifica em cavidades no solo em campos abertos ou áreas com pouca vegetação. São predadores generalistas, consumindo insetos e pequenos vertebrados. Por não apresentarem papo, as corujas não digerem ossos ou apêndices quitinosos, e ao final de cada dia regurgitam os restos alimentares na forma de pelotas, as quais podem ser utilizadas para analisar o nicho trófico dessas aves. O presente estudo teve como objetivo analisar a composição da dieta de A. cunicularia, em ambiente alterado no município de Criciúma, Sul de Santa Catarina. Atualmente, a área utilizada como abrigo pelas corujas é composta por campo antrópico com predomínio de vegetação herbácea e diversas construções antrópicas. No entorno também são observados áreas industriais e fragmento florestal de Eucalypitus spp. com sub-bosque formado predominantemente por gramíneas e pteridófitas. A amostragem foi realizada semanalmente entre agosto de 2018 e julho de 2019. A coleta das egagrópilas ocorreu por busca ativa, em área próxima a entrada dos abrigos e locais de poleiro. As egagrópilas foram armazenados em sacos plásticos etiquetados, encaminhados ao laboratório onde foram lavados em água corrente, fixados em álcool 70% por 24h e posteriormente, secos em estufa a 50ºC por 24h. Foram encontradas 421 egagrópilas e registrados 35 taxa na dieta de A. cunicularia. Os insetos contribuíram com 68% da dieta. Carabinae, Melolonthinae, Curculionidae, Orthoptera, Rodentia e Lacertilia foram os grupos mais frequentes (92%, 90%, 80%, 94,1%, 92%, 57%, respectivamente). Com exceção de Carabinae, todos os itens apresentaram segregação temporal, Melolonthinae e Lacertilia tiveram picos em meses mais quentes ao passo que Curculionidae, Orthoptera e Rodentia tiveram picos em meses frios. Rodentia foi o único que apresentou correlação com precipitação, havendo concentração em meses mais secos. Outros grupos como Aves, Gryllotalpidae e Chelicerata tiveram baixa representatividade na dieta. Instalações antrópicas podem estar contribuindo para a alta incidência desses itens no ambiente e, portanto, na dieta das corujas. Embora o ambiente apresente uma flora pouco diversa, no mesmo há condições de hábitat favoráveis para alguns grupos. Insetos e roedores foram os itens mais frequentes, o que sugere que em ambientes antrópicos A. cunicularia possa atuar como controlador populacional destes animais. Compreender a composição da dieta de espécies em ambientes antrópicos torna-se importante uma vez que é possível analisar quais as exigências para que esses taxa permaneçam nestes locais, contribuindo assim, para manutenção da biodiversidade.

Descrição

Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado para obtenção do Grau de Bacharel, no Curso de Ciências Biológicas da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC.

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