A educação na compreensão de alunas-detentas de uma penitenciária do sul de Santa Catarina
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Este trabalho trata da análise da visão que uma parcela das alunas da Penitenciária
Feminina de Criciúma têm sobre a educação. A pesquisa parte da seguinte questão:
Quais visões de educação na prisão têm as alunas detentas em uma penitenciária
do extremo sul catarinense? Buscando responder também questões secundárias:
Como funciona o acesso à educação em prisões no Brasil, Santa Catarina e
Penitenciária Feminina de Criciúma? As alunas detentas da instituição analisada
reconhecem o estudo e a educação como um direito? Em linhas gerais esta
pesquisa se constitui como uma pesquisa qualitativa. Em especial optei pelo método
do estudo de caso, articulando três instrumentos metodológicos. O questionário
com a gestão, respondido pela agente responsável pelo setor da educação;
questionário com 15 alunas detentas, visando ter por base de análise a percepção
que as alunas encarceradas têm sobre os aspectos educacionais; e Diário de
campo. Com suporte dos autores Elionaldo Fernandes Julião (2013; 2019), Elenice
Maria Cammarosano Onofre (2007;2013; 2019), Alessandro Baratta (1999; 2011;
2013), Vera Maria Candau (2008), Raquel Couto Moreira (2011) busquei compor a
fundamentação e delinear os conceitos contratados nas análises com as percepções
das alunas detentas. Nesse sentido, o objetivo desta discussão é compreender as
percepções das alunas detentas sobre os aspectos educacionais gerais da
Penitenciária elencada. Por meio desta pesquisa pude evidenciar vários aspectos da
condição humana das alunas detentas, bem como do estado e andamento dos
processos educativos do ambiente feminino de restrição de liberdade. Por fim, os
questionários apontaram que as mulheres em idades mais avançadas compreendem
a educação (na prisão e fora dela) como privilégio, e as mulheres que tiveram
acesso à leitura e cultura (antes do cárcere) destacaram a educação como um
direito; além disso, mais da metade das alunas entendem a educação como uma
oportunidade dentro da prisão. Em linhas gerais, é possível destacar que nem todas
as detentas têm acesso ao direito à educação dentro da prisão e que, grande parte
das que têm, não o compreende como direito. Entretanto, se por um lado nem todas
sabem o que lhes é de direito, ainda assim as mulheres apenadas da Penitenciária
Feminina de Criciúma buscam se firmar em algum direito para sobreviverem ao
cárcere.
Descrição
Dissertação submetida ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Extremo Sul Catarinense, para a obtenção do título de Mestre em Educação.
