Frequência e fatores associados a mortalidade e déficit cognitivo, sintomas de depressão e ansiedade em sobreviventes de unidade de terapia intensiva: um estudo de coorte prospectivo
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A sobrevida dos pacientes que necessitaram de cuidados intensivos tem
aumentado nos últimos anos, todavia, apesar da melhora dos
prognósticos destes pacientes, é crescente a preocupação com as
conseqüências a longo prazo. Pacientes sobreviventes a uma doença
crítica são constantemente confrontados com desfechos indesejáveis e
duradouros, pois além do comprometimento físico, os danos cognitivos
e neuropsicológicos são cada vez mais reconhecidos. Neste sentido o
presente estudo pretende avaliar a frequência e os fatores associados a
mortalidade e ao déficit cognitivo, sintomas de depressão e ansiedade
nos pacientes sobreviventes de UTI. Foi realizado um estudo de coorte
prospectivo com pacientes sobreviventes de cuidados intensivos em três
Unidades de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital no sul do Brasil.
Estes pacientes foram avaliados no hospital e acompanhados durante os
quatro meses após a alta hospitalar sobre os seguintes aspectos: saúde
prévia, percurso hospitalar e assistência, características da doença crítica
pós-alta da UTI, marcadores bioquímicos e consequências pós-alta
hospitalar. Para a avaliação dos desfechos deste estudo foi realizada a
avaliação cognitiva através do Mini-Exame do Estado Mental (MEEM)
e a avaliação dos sintomas de ansiedade e depressão através da Escala
Hospitalar de Ansiedade e Depressão (HAD). Estes achados foram
investigados no período hospitalar e após 4 meses pós-alta da UTI. A
análise estatística foi realizada no software SPSS, utilizando-se como
medidas de associação a regressão de Poisson e a Regressão de Cox.
Para a análise multivariada foram elencadas todas as variáveis preditoras
com p<0,25 descrito por Hosmer e Lemeshow. O nível de significância
estatística considerado foi p<0,05. Foram abordados 162 pacientes, com
média de idade de 55±17 anos, sendo 63% masculinos. A incidência de
mortalidade durante a internação hospitalar foi de 9,9% e no decorrer do
acompanhamento passou para 17,3%. Para o desfecho mortalidade, no
modelo final, observa-se como variáveis de risco ter sepse (RR:5,16;
p<0,01) e a necessidade de utilização de traqueostomia (RR:2,7; p<0,05). Quanto a incidência dos desfechos
avaliados aos 4 meses, houve uma incidência de 50,0% de disfunção
cognitiva, 63,6% sintomas de depressão e 52,3% para os sintomas de
ansiedade. No desfecho disfunção cognitiva, no modelo final, possuir
um trabalho prévio foi um fator de proteção (HR: 0,26; p<0,05) e os
fatores de risco foram: infecção na admissão da UTI (HR: 4,79; p<0,05),
necessidade da realização de hemodiálise (HR: 231,74; p<0,01), e
acompanhamento com fonoaudióloga no hospital (HR: 4,87; p<0,05).
Como fatores de risco para os sintomas de depressão, foram: gastos com
saúde mensal ≥R$ 647,00 (HR: 5,44; p<0,05), não receber assistência
do SUS (HR: 17,1; p<0,05) e dosagem sérica de fator neurotrófico
derivado do cérebro (BDNF) ≤0,09 pg/mL (HR: 1,01; p<0,01). Para o
desfecho ansiedade, os fatores de risco foram: realização de hemodiálise
(HR: 8,18; p<0,01) e renda Per Capita ≤R$ 836,00 (HR: 8,18; p<0,01).
Através destes achados foi possível constatar que diferentes preditores
podem ser fatores de risco para a disfunção cognitiva assim como para a
os sintomas de depressão e ansiedade após a alta da UTI.
Descrição
Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós-
Graduação em Ciências da Saúde da Universidade do
Extremo Sul Catarinense para obtenção do título de
Doutora em Ciências da Saúde
