Análise comparativa entre transplante de microbiota fecal fresco e transplante de fezes esterilizadas em modelo experimental de enterocolite necrosante neonatal

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Introdução: A enterocolite necrosante (ECN) é uma doença intestinal grave que acomete neonatos prematuros, causando mortalidade elevada, a despeito de todos os avanços em terapia intensiva neonatal. A doença tem causa multifatorial, onde os episódios de isquemia e reperfusão, bem como as alterações causadas na microbiota intestinal imatura, conhecidas como disbiose, apresentam papel fundamental. Nesse sentido, a correção da disbiose, com transplante de microbiota fecal (TMF), tem demonstrado efeitos benéficos em modelos experimentais da doença. Ainda, as variadas formas de administração e conservação do material do TMF, diferentes resultados a depender do doador, bem como a segurança do procedimento, levam a questionamentos sobre a terapia. Objetivo: Comparar o efeito do TMF fresco, transplante de fezes esterilizadas (TFE) e o uso de probióticos sobre a lesão tecidual, inflamação e estresse oxidativo em modelo neonatal de ECN. Métodos: Para o estudo foram utilizados animais recém-nascidos da linhagem Wistar, os quais foram submetidos a um modelo de hipóxia e gavagem, com protocolo já descrito para mimetizar um quadro de ECN. Os animais foram divididos em cinco grupos: Controle; ECN; ECN+TMF; ECN+TFE e ECN+ probióticos. Análises foram realizadas a fim de identificar se as fezes nestas duas formas de administração foram efetivas para diminuir lesão tecidual, resposta inflamatória e lesão oxidativa causada pela ECN em cérebro, intestino e soro. Foi avaliada se a eficácia era semelhante a administração de probióticos. Resultados: As citocinas pró-inflamatórias estão aumentadas no grupo ECN e os níveis de IL-10 estão diminuídos no intestino, cérebro e soro. TMF fresco e fezes estéreis foram mais eficazes em reduzir a inflamação quando são comparados ao uso de probióticos. O dano oxidativo e histológico no intestino são aparentes no grupo ECN e ambos os tratamentos baseados em fezes tiveram efeito protetor. Conclusão: Ambos TMF e fezes estéreis são eficazes na redução da resposta inflamatória, dano oxidativo e lesão histológica, no intestino e cérebro, quando comparado ao tratamento com probióticos, em modelo experimental de ECN. Possivelmente esse efeito benéfico se deva a debris bacterianos, proteínas, compostos antimicrobianos, produtos do metabolismo, oligonucleotídeos, e nanopartículas, além da própria microbiota em si. A utilização de fezes esterilizadas teoricamente proporciona maior segurança para prática clínica, com efeito muito similar ao TMF.

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Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Universidade do Extremo Sul Catarinense para obtenção do título de Doutora em Ciências da Saúde.

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