Prevalência e fatores associados ao comprometimento cognitivo mensurado através do Mini Exame do Estado Mental em idosos longevos de dois municípios do sul de Santa Catarina
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Com o aumento da expectativa de vida da população o número de idosos vem crescendo significativamente em todo o mundo. No Brasil esse número está em torno de 10% da população total. Entretanto, associado ao envelhecimento estão o aparecimento de alterações nas funções cognitivas, alterações de humor e diminuição da capacidade funcional, os quais podem ou não estar associados a outras doenças crônicas, que influenciam significativamente na qualidade de vida desse indivíduo. Considerando que a prevenção e diagnósticos precoces sejam o alvo da Saúde Pública, propostas voltadas para essa realidade (Atenção Básica em Saúde) que visam estratégias de rastreio cognitivo, bem como a investigação de possíveis fatores de risco envolvidos nesse processo, faz-se de extrema importância. Este estudo teve como objetivo avaliar a prevalência e fatores associados ao comprometimento cognitivo mensurado através do Mini Exame do Estado Mental em idosos longevos de dois municípios do sul de Santa Catarina. Esse estudo é do tipo transversal, cuja a amostra censitária foi de 165 idosos longevos com idade ≥80 anos e que aceitaram participar do estudo. A média de idade foi de 84,8 ± 3,7 anos, destes 63% (104) são do sexo feminino, 65,5% (108) residem na área rural, mediana da escolaridade foi de 3 anos (2-4). O índice de massa corporal (IMC), apresentou uma média de 25,6 ± 4,6 e mais de 50% dos idosos praticam algum tipo de atividade física, cerca de 64,8% (107) avaliam sua saúde como sendo boa, a hipertensão arterial sistêmica (HAS) aparece como a mais prevalente entre os idosos em 75,8% (125), a perda subjetiva de memória foi relatada em 23% (38) dos indivíduos. Foi observado que 67,3% (111) apresenta independência modificada ou completa nas atividades básicas e instrumentais de vida diária. A prevalência de comprometimento cognitivo avaliado pelo Mini Exame do Estado Mental (MEEM) foi de 35,2% (58). A idade, a zona de moradia (rural e urbana), a pessoa com quem o idoso reside, uso de fármacos para pressão, presença de ansiedade e a funcionalidade global, apresentaram associação significativa com o comprometimento cognitivo nos idosos (p≤0,05). A regressão de Poisson evidenciou que o IMC, a renda total do idoso, a funcionalidade global e os sintomas de ansiedade generalizada permaneceram associados com o comprometimento cognitivo (p≤0,05). Em relação a qualidade de vida, os domínios de Capacidade Funcional, Limitação por Aspectos Físicos e Aspectos Sociais, foram estatisticamente significativos na associação com o comprometimento cognitivo (p≤0,05). Este é um dos raros estudos que investigou a prevalência de comprometimento cognitivo, utilizando uma bateria breve de rastreio cognitivo e ao mesmo tempo buscou identificar os fatores associados a esse comprometimento em em idosos longevos com ≥80 anos do Sul do Brasil e a nível mundial. Além disso, também é um estudo que buscou fortalecer a saúde pública, mostrando que métodos de investigação e rastreio para comprometimento cognitivo, problemas de saúde mental e aspectos gerais relacionados a saúde em idosos, são fáceis de serem aplicados e podem prevenir agravos de saúde considerados até então comuns para a idade.
Descrição
Tese apresentada ao Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde, da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC, para obtenção do grau de Doutora em Ciências da Saúde.
