Conhecimento tradicional de pescadores artesanais, sobre os vertebrados marinhos do sul do Brasil
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Este trabalho tem como objetivo avaliar o conhecimento empírico dos pescadores artesanais do município de Passo de Torres sobre vertebrados marinhos no litoral do extremo Sul de Santa Catarina. Foi aplicado o método de entrevista “Bola-de-neve”, em que há seleção intencional dos sujeitos entrevistados, sendo iniciado sempre com um membro influente na comunidade que indica outro membro conhecedor do tema e assim sucessivamente. Também foi utilizada a chamada “técnica de observação direta” ou “observação não participante” por distanciamento total que consiste na observação e registro livre dos fenômenos observados em campo. Na primeira alternativa aplicou-se um formulário por meio de entrevistas com questões abertas e fechadas, procurando formular um panorama do perfil do entrevistado, suas embarcações utilizadas, ferramentas utilizadas para pesca, espécies encontradas e a frequência de vertebrados marinhos em seu dia alvo da pesquisa e seus usos, temporalidade, bem como aspectos da legislação vigente. Adicionalmente, foram transcritos relatos e histórias de vida dos pescadores artesanais que contribuíram para compreender seus estilos de vida. Foram entrevistados 10 pescadores artesanais da Colônia Z-18 pertencentes à faixa etária entre 19 a 73 anos, sendo que em 80% dos entrevistados a principal fonte de renda é a pesca. Foram registradas 59 citações à etnoespécies de vertebrados marinhos, sendo possível identificar taxonomicamente apenas 14 espécies. As mais citadas pelos pescadores foram a Anchova (Pomatomus saltatrix Linnaeus, 1766), com um total de 15%, seguida com um empate entre a Corvina (Micropogonias furnieri Desmarest, 1823) e a Tainha (Mugil liza Valenciennes, 1836) com 14% cada uma. Os apetrechos mais utilizados que foram citados pelos pescadores foram a Rede Malha com 22,2%, Rede de Fundo com 22,2% e Rede de Traineira com 13,9%. Quanto ao índice de frequência de ocorrência dos vertebrados marinhos, 42,9% foram consideradas espécies constantes, 21,4% espécies acessórias e 35,7% espécies raras. Em relação ao uso de animais: 38,1% são direcionados a alimentação, e os outros 61,9% das espécies não tem utilidade, ou seja, são capturadas acidentalmente e logo liberadas, com 42,9% ocorrendo no inverno, 19,0% ocorrendo no verão e 38,1% ocorrendo nas duas estações do ano citadas. Considerando que o conhecimento zoológico tradicional é o resultado de muitas gerações de saberes acumulados e trocas de informações entre indivíduos, ressalta-se no presente trabalho a necessidade de repassar estes saberes que vem se perdendo pela tecnologia pesqueira, que se modifica paulatinamente pela industrialização do pescado.
Descrição
Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado para obtenção do Grau de Bacharel, no Curso de Ciências Biológicas da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC.
