Memórias, identidades e o processo de formação política de Marlene Soccas : uma militante de esquerda em tempos de Ditadura Civil Militar no Brasil (1960 -1970)
Arquivos
Data
Autores
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Marlene Soccas nasceu em Laguna, em 1934. Atualmente, com 85 anos de idade, reside na cidade de Criciúma (SC) e participa ativamente de atividades políticas e de movimentos sociais. A sua militância iniciou-se no final da década de 1960, em São Paulo (SP), com aproximações com organizações de esquerda que resistiam à Ditadura Civil-Militar, como a Ação Popular (AP), a Vanguarda Revolucionária (VPR) e a Rede Democrática (REDE). Ela foi presa e torturada, permanecendo na prisão por mais de dois anos, de maio de 1970 a julho de 1972. O presente estudo teve como objetivo central compreender o processo de formação política como militante de esquerda na resistência à Ditadura Civil-Militar no Brasil de Marlene Soccas e teve como ponto de partida sua infância até chegar à vida adulta. A ênfase foi nas experiências vivenciadas por ela no final da década de 1960 até o início da década de 1970, período que abrange sua entrada na militância política, passando pela clandestinidade, torturas e prisão. A partir desse objetivo central, estabeleci os seguintes
objetivos específicos: entender os motivos que a impulsionaram a fazer as suas escolhas pela militância política de esquerda à época da ditadura; identificar as possíveis reverberações das experiências recordadas por ela da infância e juventude em sua formação política como militante de
esquerda; perceber qual era o lugar das mulheres nos movimentos políticos de resistência à ditadura em que ela atuou entre as décadas de 1960 a 1970; perceber em suas lembranças a construção de sua identidade como militante de esquerda e, por último, identificar as reverberações de suas experiências de clandestinidade, tortura e prisão para a sua formação política de esquerda. Trata-se de uma pesquisa de caráter qualitativo, que se assentou, principalmente, em entrevistas pautadas na metodologia da história oral realizadas com Marlene Soccas no período de janeiro de 2017 a fevereiro de 2018. Suas lembranças foram contrastadas com outros documentos identificados como “escrita de si,” como cartas escritas quando estava na prisão, e o seu livro intitulado “Meu querido Paulo”,
bem como fotografias e outros documentos. Dentre os principais conceitos que embasaram este estudo se destacam: formação, identidades, gênero, história das mulheres, biografia, “escrita de si” e memória. A formação política de Marlene Soccas, à época da ditadura, foi iniciada por meio de Paulo Stuart Wright – deputado cassado em maio de 1964, membro da AP e até hoje desaparecido –, cuja relação a impulsionou em direção à militância de esquerda. Ao me aproximar de sua infância e adolescência, identifiquei, a partir de suas lembranças, aspectos que podem ter contribuído para a sua escolha pela militância de esquerda. Percebi que, embora muitas mulheres tenham participado das organizações de esquerda à época, a maioria delas não ocupou cargos de direção, como foi o caso de Marlene Soccas. Por fim, identifiquei que as experiências vivenciadas por ela na clandestinidade, durante as torturas e
na prisão, ocupam um lugar de destaque na sua forma de ver o mundo até os dias de hoje e ela continua lutando em defesa da democracia e dos direitos humanos. Sua trajetória aponta para distintas identidades militantes e distintas formas de militar, as quais se reconstroem a todo momento, a partir dos diferentes espaços e contextos. Portanto, o processo de sua formação política se apresenta como algo contínuo e permanente. De acordo com Nóvoa (2010), é algo que ocorre ao longo da vida e nele
estão incluídas, além de leituras e estudos, as experiências individuais e coletivas, bem como as reflexões sobre elas.
Descrição
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Educação.
