O programa Protagonistas Sem Fronteiras como ação educomunicativa antirracista na web rádio Santa Luzia
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Esta pesquisa trata da investigação sobre a prática comunicativa antirracista realizada no programa Protagonistas Sem Fronteiras na web rádio Santa Luzia. Esse movimento é compreendido num contexto em que o racismo estrutural é parte fundante da sociedade brasileira e está presente nas diversas instituições sociais. A difícil realidade imposta à população negra a partir dessa constatação torna necessário uma reflexão sobre as iniciativas que objetivam desconstruir as bases que sustentam o racismo em nosso país. Com isso, desenvolveu-se a seguinte problemática: Como a mídia web rádio, enquanto ação educomunicativa, contribui na luta antirracista dos docentes negros a partir do programa Protagonistas Sem Fronteiras? Sendo uma pesquisa de abordagem qualitativa, de caráter descritivo-exploratório, documental e do tipo netnográfica, respondemos esse questionamento apresentando os conceitos de racismo estrutural e antirracismo a partir de um referencial teórico constituído principalmente por intelectuais negros, como Djamila Ribeiro, Nilma Lino Gomes e Silvio Almeida. Para referenciar o conceito de Educomunicação, partimos dos precursores como Paulo Freire, Mário Kaplún, Jesús Martín-Barbero, o professor Ismar de Oliveira Soares e a professora Ademilde Sartori. Diante da concepção epistemológica dos autores, foram elaboradas três categorias de análise: Racismo Estrutural: o conceito, as bases históricas, sociais, científicas e jurídicas que consolidaram o racismo no Brasil, bem como a atuação e organização dos negros desde o período de escravização até as conquistas do movimento negro como a Lei nº 10.639/03 e a importância da educação antirracista em todos os espaços educacionais na atualidade. Práxis Educomunicativa: além do conceito, buscou-se apresentar o importante papel dessa área do conhecimento para a realização de práticas pedagógicas antirracistas. Destaca-se o rádio, a sua contribuição histórica para a educação e o processo de reconfiguração que resultou nas webs rádios, uma mídia mais democrática e significativa. Por fim, a Prática Comunicativa antirracista do Programa Protagonistas Sem Fronteiras, em que analisamos a relevância dessa ação no cotidiano dos educadores negros a partir do seu protagonismo na luta antirracista. Embora existam professores atuantes no cumprimento da Lei nº 10.639/03, que versa sobre a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira na educação básica, a inserção das práticas pedagógicas antirracistas no cotidiano educacional precisa ser ampla e contínua. Sendo assim, concluiu-se com este estudo que a educomunicação, quando também é antirracista, desempenha um papel relevante nesse processo. Uma realidade que evidenciou a necessidade de uma nova área de intervenção social da educomunicação enquanto área do conhecimento que oportuniza a intervenção social em seus diversos aspectos, com foco na educação antirracista ou na educação para as relações étnico-raciais.
Descrição
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Educação.
