Gênero e ensino superior : a inserção das mulheres nos cursos de engenharias da UNESC
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As desigualdades de gênero têm se manifestado como elementos centrais na construção de sociedades formalmente igualitárias que buscam instituir relações mais equitativa entre homens e mulheres. A equidade de gênero e a justiça social transformaram-se em dois elementos centrais para a edificação do tão almejado desenvolvimento socioeconômico, impelindo diferentes esferas da sociedade a construir alternativas capazes de viabilizar relações mais equânimes entre seus cidadãos e cidadãs. Pesquisar e discutir criticamente a relação entre educação e trabalho na perspectiva das relações de gênero torna-se um imperativo para aquelas/es que querem compreender o mundo ao seu redor por meio da complexidade que se estabelecem no interior das relações sociais. Diante desta assertiva, a presente investigação, buscou no âmbito local entender o processo de acesso e permanência das mulheres no ensino superior, priorizando a análise de um campo que tradicionalmente mostrou-se avesso a entrada das mulheres, as engenharias. Para dar conta de tal empreitada, teoricamente apoiamos nossas análises nos estudos de gênero e nos conceitos de feminização e feminilização, que nos instrumentalizaram para perceber os processos de desqualificação e valorização que determinadas áreas sofrem quando atreladas ao masculino e ao feminino. Assim, por meio de entrevistas, atrelado a Universidade do Extremo Sul Catarinense, buscamos entender quais fatores levam a desistência das mulheres do percurso formativo nas áreas de engenharias. Por meio de dados quantitativos fornecidos pela instituição, ingresso, evasão e conclusão, percebemos que, assim como ocorre em outros espaços do país a área de engenharia permanece pouco feminilizada, ou seja, quantitativamente há poucas mulheres se comparado aos homens, e feminizada, com atributos que buscam se afastar daquilo que se entende como feminino. Ademais, combinando aos dados quantitativos, realizamos uma série de entrevistas com exalunas da instituição, com a finalidade de entender, de forma mais profunda, quais foram os motivos que as levaram ao processo de desistência. De maneira geral, identificamos que diversos mecanismos
das desigualdades operaram, tais como, a não aceitação pelos colegas homens na sala de aula, a desqualificação de suas atividades no campo laboral, o assédio sofrido em diferentes espaços profissionais e a não aceitação da inversão das hierarquias de gênero, ou seja, mulheres gestoras ou chefes. Por meio dos resultados desta investigação, concluímos que muito se tem que fazer para alcançar a equidade entre homens e mulheres, pois por mais que as legislações e as normas garantam a paridade, no espaço do cotidiano, nas relações formais, o preconceito, a discriminação e as desigualdades ainda se manifestam com potencial, dificultando a existência de relações sociais mais equânimes e o próprio desenvolvimento socioeconômico.
Descrição
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Socioeconômico da Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Desenvolvimento Socioeconômico.
