Delineando invisibilidades: materialização do discurso étnico em Criciúma a partir da obra “Criciúma 1880-1980: a semente deu bons frutos” (1985)

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Em 1980 Criciúma realizara seu Centenário de Fundação, este evento entrou de forma intrigante na história do município. Neste momento se produziu um discurso identitário étnico para o município em questão, propondo cinco grupos étnicos para o município. Cinco anos após a realização do Centenário de Fundação, o governo municipal lançou a obra “Criciúma 1880-1980: a semente deu bons frutos” (1985) com autoria de Otília Arns. Este livro com caráter oficial procurou construir narrativas acerca dos cinco grupos étnicos (italianos, alemães, poloneses, portugueses e negros), porém isto não quer dizer que todos estavam em igualdade. Nota-se a construção de uma narrativa (in)visibilizadora em relação aos dois últimos grupos étnicos, em especial o grupo chamado “negro”. Portanto, buscamos evidenciar quais subsídios são utilizados pela autora para se construir a narrativa, identificando estes como sendo principalmente o “pioneirismo” e a “catolicidade”. Utilizando-se destes dois aspectos a autora constrói uma narrativa com caráter relacional, ou seja, os grupos negro e português se tornam presentes apenas de maneira a sobrevalorizar os imigrantes “pioneiros”, tidos como italianos, e também o grupo alemão. Para a realização desta discussão utilizamos de conceitos como “etnicidade” com Poutgnat e Streiff-fernat (1998), assim como “invenção das tradições” com Hobsbawm (2018), buscando desta maneira identificar como se constitui a construção de uma Criciúma pautada em uma identidade étnica, assim como analisar a criação de práticas e normas tidas como a uma “tradição” criciumense.

Descrição

Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado para obtenção do grau de Licenciatura no curso de História da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC.

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