Homem com saúde não agride mulher alguma: representações sociais sobre a saúde do homem e a implicação da atenção básica no enfrentamento à violência de gênero

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A violência de gênero acarreta consequências imponderáveis à vida da mulher. A partir de uma abordagem feminista e interseccional, entende-se que a violência deve ser enfrentada em todos os âmbitos da sociedade. Contudo, no campo da saúde, a discussão da violência como principal causa de agravo à saúde das pessoas, é incipiente. A este fenômeno, analisam-se as categorias de gênero, raça e classe. Ao entender o conceito de saúde alicerçado aos Determinantes Sociais em Saúde (DSS), percebe-se que estas categorias são pouco discutidas quando se pensa na atenção à saúde do homem. Este trabalho tem por objetivo refletir como os profissionais de saúde compreendem a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem e qual a implicação do serviço no enfrentamento da violência de gênero. O estudo tem caráter qualitativo, com base na Análise do Discurso do Sujeito Coletivo, compreendendo o discurso enquanto uma estrutura construída socialmente. Como resultado, construiu-se discursos a partir de três ideias centrais, as quais buscaram responder os objetivos desta pesquisa: 1) O homem não pode falhar, mas a mulher que tem o conhecimento da situação de todo mundo; 2) A mulher tem que aprender a se defender porque se ela tiver autoridade, ele vai ficar com medo, mas bem complicado a violência, porque apanha, mas gosta do marido, por uma questão de convivência; 3) Tudo vem lá da prevenção e da orientação, na unidade básica começa pela educação, primeiro com as mulheres, depois com os homens e com os dois. Verifica-se que as representações da saúde do homem são influenciadas pelas noções das masculinidades hegemônicas, as quais afetam os modos de cuidado e atenção em saúde. Prevalecem, desse modo, ações de caráter curativo, os quais desconsideram os determinantes em saúde nos processos de saúde e doença, tendo o discurso biomédico como referência principal. Estes aspectos também afetam a compreensão da atenção aos casos de violência de gênero no campo da saúde, pois, mesmo que os profissionais identifiquem os tipos de violência para além da física, a atenção básica ainda não é porta de entrada para esta problemática. Por fim, as/os entrevistadas apontam a educação em saúde como via de promoção da integralidade em saúde do homem, a partir da intersecção com os debates sobre masculinidades e violências.

Descrição

Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado para obtenção do grau de Psicólogo no curso de Psicologia da Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC.

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