Associação entre níveis de vitamina D e saúde mental em idosos da Atenção Primária de Saúde em um município de Santa Catarina

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O perfil demográfico da população mundial aponta para o envelhecimento populacional, demonstrando que há um aumento na expectativa de vida. A vitamina D e seu receptor (VDR) estão presentes no cérebro, ossos, pele e células humanas no geral. A deficiência crônica de vitamina D tem sido relacionada a doenças ósseas, imunes, cardiovasculares, neuropsiquiátricas e com alguns tipos de cânceres, e sua suplementação tem apresentado resultados inconclusivos. Aliado a isso, há um aumento progressivo na prevalência de comprometimento cognitivo, depressão e ansiedade nas pessoas mais velhas, o que interfere em sua qualidade de vida e de sua família. Este estudo transversal, de abordagem quantitativa, teve como objetivo investigar a associação entre os níveis de 25-hidróxivitamina-D (25OHD) e saúde mental em idosos da Atenção Primária à Saúde, residentes no município de Brusque, Santa Catarina. Foram avaliados 72 indivíduos idosos (60 anos ou mais) divididos em dois grupos: Grupo 1 - Controle, Suficientes em Vitamina D (≥30ng/mL – 46 indivíduos) e Grupo 2, Insuficiente ou Deficientes de vitamina D (<30 ng/mL – 26 indivíduos). Nestes indivíduosfoi aplicado questionário sociodemográfico e de saúde e testes específicos para avaliação da cognição, através do Mini Exame do Estado Mental (MEEM), Teste do Desenho do Relógio (TDR) e Teste de Fluência Verbal (TFV); de sintomas depressivos pela Escala de Depressão Geriátrica (GDS-15), de sintomas de ansiedade pelo instrumento General Anxiety Disorder (GAD-7); além da avaliação de qualidade de vida pelo Questionário Short-Form Health Survey (SF-36). Um abrangente conjunto de covariáveis contendo dados demográficos, condições socioeconômicas, comorbidades e práticas de saúde foram coletadas por entrevista, através de um questionário elaborado pelo pesquisador, exames laboratoriais e prontuário do indivíduo. Os resultados mostraram associação estatística de baixos níveis de vitamina D com idade mais avançada, idosos que trabalham, viúvos, residindo com familiares e com declínio cognitivo avaliado no Teste de Fluência Verbal. Os níveis mais altos de vitamina D foram significativos em aposentados e idosos atualmente casados. O desfecho mostrou ainda prevalência de obesidade, multimorbidades e polifarmácia, comprometimento cognitivo e, apesar disso, qualidade de vida média com tendência a alta. Conclui-se, com estes resultados, que em pessoas mais velhas, com o avançar da idade, piores condições familiares e econômicas e idosos com declínio cognitivo apresentam menores níveis de vitamina D. Considerados em conjunto, esses dados fornecem evidências do impacto de aspectos sociais nos níveis de vitamina D e sugerem sua potencial associação ao declínio cognitivo. Além disso, alerta para o aumento de problemas de saúde na população idosa.

Descrição

Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da Universidade do Extremo Sul Catarinense para obtenção do título de Mestre em Ciências da Saúde.

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