Avaliação do consumo alimentar, com base na dieta do mediterrâneo, em pacientes portadores de doença arterial coronariana de um hospital do município de Criciúma
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As doenças cardiovasculares (DCV), dentre as afecções não transmissíveis, são a principal causa de mortalidade nos países industrializados e nos em desenvolvimento, e no Brasil elas contribuem significativamente como fator causal de mortalidade. A dieta tem forte correlação com a saúde cardiovascular, sendo que dentre os fatores de risco mais significativos para o desenvolvimento de DCV, segundo o estudo Framinghan, estão a inatividade física, obesidade e dieta inadequada. Dentre as dietas que conferem efeito cardioprotetor, podemos destacar a dieta do mediterrâneo (DM). As populações da região mediterrânea apresentam baixos índices de doenças crônicas não-transmissíveis e altas taxas de expectativa de vida. Sendo assim o padrão dietético mediterrâneo tem sido proposto como um modelo de dieta ideal para ser adotada em outros países, principalmente com pacientes portadores de DCV. Este estudo caracterizou-se por uma pesquisa do tipo descritiva, quali-quantitativa, por amostragem de conveniência, e teve como objetivo principal avaliar o consumo alimentar de pacientes portadores de doença arterial coronariana (DAC), com base no padrão alimentar da DM, através de um questionário de freqüência alimentar da dieta do mediterrâneo validado. A pesquisa foi realizada no setor de cardiologia de um hospital de Criciúma-SC. A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas feita pelo próprio pesquisador e cardiologista colaborador, sendo aplicado um questionário de freqüência alimentar da dieta do mediterrâneo (QFADM). A amostra também foi questionada com relação á realização á procura de atendimento nutricional pós-diagnóstico de DAC. Dados antropométricos de peso, estatura e circunferência abdominal (CA) também foram coletados para avaliação do estado nutricional. Foram abordados 50 indivíduos que atenderam aos critérios de inclusão e exclusão, correspondendo á 34 homens e 16 mulheres. A idade variou entre 46 e 75 anos. A maioria dos participantes classificou-se como sobrepeso (56%). Os obesos totalizaram 28%. Apenas 14% apresentaram-se eutróficos e ainda 2 % foi classificado como magreza. Com relação a circunferência abdominal, verificou-se que 58% da amostra possuía alto risco para eventos cardiovasculares, 32% possuiu risco moderado e 10% apresentou-se com risco normal. Além disso, verificou-se que 72% da amostra não procurou atendimento com nutricionista após diagnóstico de DAC. O grau de adesão á dieta do mediterrâneo foi considerado baixo para mais da metade da amostra (54%), 2% classificaram-se com adesão muito baixa, 36% moderada e apenas 8% adesão alta. Nenhum paciente da amostra teve nível de adesão considerado excelente. Os itens alimentares mais consumidos, que conferem aspecto positivo á dieta foram: frutas e verduras, e os menos consumidos foram o azeite de oliva, o álcool em doses moderadas e o peixe. Com relação aos alimentos que conferem aspectos negativos, observou-se alta ingestão de carne vermelha e leite integral e derivados. Concluiu-se que os coronariopatas avaliados apresentam, em sua grande maioria, índices antropométricos indicativos de alto risco para a recorrência de eventos cardiovasculares futuros, baixa aderência à DM e com muito baixa presença em suas dietas de alimentos cardioprotetores. Vê-se ainda, que a maioria nunca procurou atendimento nutricional, item indispensável e efetivo para um bom prognóstico da sua patologia. Desta forma percebe-se a necessidade de modificações no estilo de vida, reforçando ainda o papel do nutricionista como agente modificador e profissional indispensável na equipe multiprofissional.
Descrição
Trabalho de Conclusão de Curso, a ser apresentado para obtenção do grau de bacharel no curso de Nutrição da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC.
