Micro e pequenas empresas do setor de vestuário nos estados de Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais ante as políticas industriais dos governos Lula e Dilma

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No início do século XXI, os principais clusters do setor vestuarista estavam nos estados da região sul do Brasil, acrescidos do estado de São Paulo. Em 2021, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais já formaram os três maiores clusters do setor no País, representando mais de 50% de toda a força de trabalho. O tema central deste trabalho consiste em analisar as micro e pequenas empresas vestuaristas dos estados de Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais no contexto das políticas industriais. Desse modo, buscou-se proporcionar uma visão aprofundada, com base em dados disponíveis, sobre as micro e pequenas empresas vestuaristas catarinenses, paulistas e mineiras no contexto das políticas industriais, apresentando as razões para o maior ou menor desenvolvimento em diferentes momentos políticos e econômicos. A opção pelo setor de vestuário ocorreu em função de sua grande relevância para o Brasil, além da quantidade de indústrias de micro e pequeno porte, da relação direta de crescimento e de crise do setor a partir das políticas industriais, dos incentivos destinados aos micro e pequenos empresários catarinenses e da motivação pessoal do autor como executivo e também consultor empresarial. Assim, o estudo tem como referencial o método dialético, cuja abordagem se apresenta como uma pesquisa qualitativa, descritiva e bibliográfica. Quanto ao objetivo geral, buscou analisar o processo de crescimento e fortalecimento das MPEs do setor de vestuário em Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais, levando em consideração a singularidade regional e as políticas industriais criadas a partir do século XXI. Já em relação aos objetivos específicos, buscou contextualizar o processo de crescimento/expansão da indústria de vestuário e suas singularidades regionais; destacar a reestruturação produtiva das décadas de 1980 e 1990 e seus impactos na indústria de vestuário; apresentar as políticas industriais para MPEs e para o setor de vestuário no século XXI; verificar em que medida as legislações e as políticas criadas contribuíram para o processo de crescimento e fortalecimento das MPEs do setor de vestuário em SC, SP e MG. Para tanto, ao longo da pesquisa, foram realizadas análises detalhadas das variáveis relacionadas ao sexo, à faixa etária, à escolaridade e à faixa salarial dos trabalhadores, as quais forneceram uma visão aprofundada do perfil da força de trabalho no setor de vestuário dos três estados analisados. Considerando as contribuições de Harvey e Furtado neste estudo sobre as questões envolvendo o desenvolvimento econômico e as políticas industriais, dentro e fora do segmento industrial vestuarista, concluiu-se que ao seguir a lógica de um “desenvolvimento inalcançável”, o resultado foi que se criou uma disparidade entre as diferentes regiões brasileiras. Assim, ao passo que certas regiões serão mais “férteis” para o desenvolvimento de diversas atividades, outras acabam sendo enfraquecidas pelos interesses do grande capital. Também que há uma clara inclinação das políticas industriais brasileiras recentes de priorizar outros setores, como o de automóveis e o do agro, em comparação com setores como o de vestuário, sendo indispensável que haja um melhor acompanhamento das transformações do setor de vestuário brasileiro, consoante e alinhado com o acompanhamento das políticas industriais dos governos nacionais e das demais políticas públicas praticadas por eles. E uma importante lição a ser tirada do presente estudo é que embora o agronegócio brasileiro seja uma potência industrial, o setor vestuarista acaba não sendo abordado com a importância merecida no contexto das políticas públicas e ações de governo como um todo.

Descrição

Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Socioeconômico da Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC, como requisito parcial para a obtenção do título de Doutor em Desenvolvimento Socioeconômico.

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