O papel da dinâmica mitocondrial na disfunção cognitiva em animais sobreviventes a sepse
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Diferentes mecanismos têm sido propostos para explicar o comprometimento cognitivo à
longo prazo em sobreviventes à sepse. Sepse é considerada uma disfunção orgânica
acompanhada de alta mortalidade. Entre estas disfunções, estão o dano cognitivo, resultante
da Encefalopatia séptica (ES) à longo prazo que gera um impacto negativo na qualidade de
vida dos sobreviventes. A presença de alterações na estrutura mitocondrial como um provável
contribuinte para o comprometimento da encefalopatia e, como a recuperação da função
mitocondrial impacta no desenvolvimento dessas disfunções ainda não é conhecida. Este
estudo buscou avaliar o papel da dinâmica mitocondrial na disfunção cognitiva após sepse
tardia. Para isso, foi utilizado o modelo animal de Ligação e Perfuração Cecal (CLP) para
indução da sepse. Um grupo de animais foi tratado intracerebroventriculamente com
rapamicina e rilmenidina, (fármacos ativadores dependente e independente da via mecanicista
alvo da rapamicina -mTOR, reguladora da autofagia), do sétimo ao nono dia após a cirurgia,
uma vez ao dia. Os animais foram mortos 24 horas, 3 e 10 dias após a sepse e, o hipocampo e
o córtex pré-frontal foram removidos para determinar parâmetros que avaliavam a dinâmica
mitocondrial. Os resultados iniciais mostraram que a sepse foi associada com disfunção
mitocondrial cerebral aguda (24 horas) e tardia (10 dias) com os níveis de adenosina trifosfato
(ATP) e consumo de oxigênio ex vivo diminuídos. Marcadores da via da autofagia
representados pelas proteínas relacionadas a via da autofagia (ATG) - ATG 16, ATG 12, ATG
7, ATG 5, Beclina, proteína de cadeia leve (LC3 A/B) e marcadores da via da mitofagia
(PINK/Parkin), bem como o conteúdo das proteínas mitocondriais (Mn-SOD e COX) não
foram regulados durante esses tempos. Contudo, após tratamento com os ativadores da
autofagia, os níveis cerebrais de ATP (adenosina trifosfato) e o consumo de oxigênio ex vivo
no hipocampo e córtex pré-frotal reverteram a redução, sugerindo uma melhora na função
mitocondrial. Assim como os ativadores da autofagia reverteram atividades de complexos (I,
II, II-III) e das enzimas do ciclo de Krebs (citrato sintase e succinato desidrogenase),
principalmente, no córtex pré-frotal. A carbonilação de proteínas apresentou melhora do dano
oxidativo induzido pelo CLP após o tratamento com rapamicina. Além disso, a rapamicina
foi capaz de reverter a redução da razão mtDNA/gDNA, que esteve de acordo com as
imagens da ultraesturura da mitocôndria, reduzindo o edema mitocondrial após tratamento.
Finalmente, mesmo com o comprometimento cognitivo à longo prazo observado em animais
sobreviventes à sepse tardia os ativadores de autofagia foram capazes de melhorar o déficit
cognitivo após tratamento. Em conclusão, o comprometimento da função cerebral a longo
prazo está temporariamente relacionado à disfunção mitocondrial. Ativadores de autofagia
mitocondrial mediante a restauração da função mitocondrial e consequente melhora do
metabolismo energético, poderiam recuperar animais com comprometimento cognitivo
sobreviventes ao modelo CLP.
Descrição
Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós-
Graduação em Ciências da Saúde para obtenção de
título de Doutora em Ciências da Saúde.