Estudo da adição de nanomateriais na deformação piroplástica de uma massa de gres porcelanato

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O presente trabalho apresenta um estudo sobre à adição de nanomateriais a base de sílica e boemita e seus efeitos na deformação piroplástica de uma massa de porcelanato. Estes revestimentos cerâmicos são formados basicamente pela mistura de argilominerais, quartzo e feldspatos e apresentaram no decorrer dos últimos anos um dos maiores crescimentos em relação a produção e vendas do setor. Destaca-se pelas excelentes características técnicas e estéticas. Propriedades estas advindas das características das próprias matérias-primas e suas interações além do processamento em temperaturas próximas a 1200 °C. Condições estas que garantem uma baixa porosidade, e ao mesmo tempo geram durante a sinterização uma grande quantidade de fase líquida responsável pela indesejável deformação piroplástica. Formatos retangulares, grandes dimensões, espessuras reduzidas e ciclos térmicos rápidos agravam o problema. Sendo assim, este estudo teve por objetivo contribuir para reduzir a incidência de deformações piroplásticas em porcelanatos, buscando identificar através das adições de nanopartículas se tal efeito seria alcançado. As composições foram formuladas segundo a técnica de planejamento de misturas. A resposta de interesse neste caso foi a deformação piroplástica. Em primeira etapa as matérias primas componentes do planejamento experimental foram estudadas quanto a sua composição química. Além disso as nanopartículas foram caracterizadas em função de sua própria dimensão e área superficial específica. Na segunda etapa foram realizadas 10 composições em laboratório e estudadas quanto ao seu comportamento físico (densidade aparente a seco, retração de queima, densidade aparente a queimado, absorção de água e índice de piroplasticidade) além da distribuição granulométrica de partículas. A composição mineralógica formada após a queima foi quantificada através do método de Rietveld. Os resultados obtidos foram avaliados pela análise de variância (ANOVA) e apresentados em superfícies de resposta mostrando o efeito das nanopartículas na deformação piroplástica do produto. Foi possível a partir daí a escolha de uma formulação de massa em relação ao melhor índice de piroplasticidade quando comparada ao padrão para a realização da terceira e última etapa (fase industrial). Os ensaios de calorimetria exploratória diferencial, diagrama de greseificação, análise termogravimétrica, análise racional da fase vítrea, energia de ativação, e microscopia eletrônica de varredura complementaram a busca de explicações em relação aos fenômenos observados. Os resultados obtidos também foram avaliados em relação ao teste Tukey e demonstraram que houve boa replicabilidade dos resultados quando comparada a fase laboratorial x industrial. As principais repostas alcançadas demonstraram que houve uma redução de até 23,8% na deformação piroplástica do porcelanato na temperatura de 1210 °C quando adicionada 5% de nanoboemita na formulação de massa. Sendo que a composição química da fase vítrea, desempenha papel importante na verificação das diferenças em relação a este comportamento. A verificação da energia de ativação na fase antecessora a máxima densificação do material, demonstrou um acréscimo de 43,76%, propiciando assim uma maior barreira energética contra os efeitos deletérios desta patologia. Respalda este resultado o ensaio de diagrama de greseificação apresentando uma diferença de 10 °C a mais na temperatura quando do atingimento da máxima densificação do porcelanato, e os 34,6% de maior absorção de energia térmica verificados no pico endotérmico entre as duas formulações finais avaliadas em relação ao ensaio de calorimetria exploratória diferencial.

Descrição

Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais da Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC, como requisito parcial para obtenção do título de Doutor em Ciência e Engenharia de Materiais.

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