Variação espacial e sazonal do fator de intensidade de chuvas (nd) no Brasil
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O principal responsável pela integração do sistema de transporte do Brasil é o modal rodoviário, contribuindo na matriz de transportes de cargas e de passageiros. As obras de construção de rodovias são extremamente afetadas pelas condições climáticas. Um fator extremamente negativo na produtividade dos equipamentos e no ritmo de desenvolvimento da obra são as as chuvas. Em obras de terraplenagem o impacto causado pelas chuvas é significativamente maior nesses serviços, uma vez que a depender da intensidade das chuvas,
elas podem não afetar em nada ou afetar todo o dia de trabalho, e em casos com maior precipitação, pode-se afetar o dia posterior e até mesmo dois dias após cessar as chuvas. A metodologia do DNIT consiste na compilação de dados históricos de postos pluviométricos da ANA, de todas as cinco regiões (Norte, Centro-oeste, Sul, Sudeste e Nordeste) do Brasil no período de 1999 a 2013. Ocorre que há escassez de dados pluviométricos disponíveis para consulta, visto a magnitude da extensão territorial do país. O Brasil possui uma vasta malha rodoviária, e para que estas obras, sejam elas de implantação ou manutenção, possuam uma
maior confiabilidade para gerenciamento físico e financeiro e mitigação de fatores climáticos (chuvas), a dissertação propõe determinar o fator de intensidade de chuvas (nd) e dias paralisados com base nas estações pluviométricas disponíveis no Banco de Dados da ANA, e analisar a sua variação espacial e sazonal em todo o território nacional. O fator nd é de extrema importância para elaboração de projetos de infraestrutura rodoviária, visto que reflete diretamente nos custos de mão de obra e equipamentos na etapa de execução. O fator nd foi calculado de acordo com a metodologia do SICRO, em função das intensidades de chuvas
registradas nos postos pluviométricos da ANA, considerando as estações que apresentaram falhas inferiores a 5% dos dados no período da mais recente Normal Climatológica (1990 a 2022). O método considera que chuvas diárias inferiores a 5 mm não interferem na atividade e chuvas acima de 20 mm implicam na paralisação das atividades, e valores intermediários tem efeito proporcional. Os resultados mostraram que a região Nordeste que chove menos, apresentou um fator nd médio anual de 0,020, e em média 7,2 dias paralisados no ano, já a região Norte que chove mais, apresentou nd médio anual de 0,049 e em média 17,96 dias paralisados. A região Sul que é a menor das cinco regiões, é a segunda que mais chove, apresentando fator nd médio anual de 0,040 e média de 14,7 dias paralisados.. Os resultados obtidos na pesquisa apresentam valores médios superiores aos indicados pelo DNIT, com diferenças que variam de 11% para a região Norte a 41% para a região Centro-Oeste e evidenciaram claramente que as regiões com os menores volumes de precipitação tendem a ter um menor número de dias paralisados.
Descrição
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Ciências Ambientais.
