Danos cognitivos e depressão relacionados ao estado nutricional da pessoa com colostomia descendente
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Transtornos disabsortivos, sabe-se hoje, podem possuir relação direta com alterações psicológicas. Logo, aspectos cognitivos, ansiedade, depressão, qualidade de vida e alterações nutricionais, todos caracterizam-se elementos necessários a serem avaliados na rotina de enfermagem uma vez que a baixa absorção de nutrientes pode acarretar prejuízos fisiológicas e patológicas. Portanto, os objetivos deste estudo concentraram-se em analisar o estado nutricional do paciente com colostomia e sua relação com a depressão e cognição. Identificaram, na pesquisa, dados sociodemográficos e clínicos, avaliados por meio de instrumentos validados, sintomas depressivos, de ansiedade, cognitivos e de qualidade de vida em comparação cruzada com o exame coprológico funcional, em suas características absortivas, e a escala de Bristol. Tratou-se de um estudo quantitativo, transversal, exploratório e descritivo realizado em uma instituição de referência no Sul de Santa Catarina. A amostra foi intencional e censitária, via contato telefônico, onde os entrevistados foram convidados e estimulados a participar, perfazendo 20 pessoas portadoras de colostomia descendente. A idade predominantemente observada foi entre 48 e 68 anos (75%, n=15). O gênero majoritário foi masculino (55%, n=11) e a escolaridade, elemento importante para compreensão dos testes, apresentou 70% (n=15) dos participantes com até 8 anos de estudo, com boa compreensão e fala. Todos apresentam-se cuidados por alguém da família e 55% (n=11) são casados. Alguns ainda trabalham, todavia 65% (n=13) aposentaram-se. A religiosidade está presente em 95% (n=19) da amostra e conforme relato isso os fortalece. A renda mais frequente foi de 2 a 3 salários mínimos e 80% (n=16) não tem atividades na comunidade. Quanto às comorbidades, HAS, DM e cardiopatias foram as mais frequentes, sendo a causa originária de estomia o câncer intestinal em 75% (n=15) dos casos. X% (n=Y) consideraram ter de boa saúde. No exame de qualidade de vida todos perfizeram mais de 95 pontos no teste (mínimo de zero e máximo de cem), talvez devido ao tempo de colostomia - em suma maior de um ano (70%, n=15). No que se refere às alterações psicológicas, 45% (n=9) evidenciaram sintomas depressivos e função cognitiva alterada no mini exame de estado mental, caracterizando anormalidade em 80%(n=16) da amostra, bem como no reconhecimento tardio (70%, n=15). Além disso, ao se comparar o Mini Mental, reconhecimento tardio e teste da Escala de Bristol, encontrou-se relação entre as variáveis (p=0,054 e 0,031, respectivamente). A escala de depressão CES-D e GAD-7 apresentou relação entre variáveis (p=0,027), o que aventa a ansiedade como fator agravante. A análise das fezes comprovou material pastoso e com presença de restos alimentares. Ao serem comparados seus elementos constituintes, verifica-se, devido ao seu formato, que as trocas são frequentes (p=0,042) e acima do período usual (a cada 3 dias). Elementos como a celulose (75%, n=15) possivelmente têm relação com a cor e odor característico pois esta não é digerida (p=0,005). A totalidade das amostras fecais tinham fibras musculares e 55% (n=11) amido amorfo, corroborando uma disabsorção que se relaciona diretamente com alterações cognitivas (p=0,020), sintomas depressivos (p=0,034) e comorbidades (p=0,035). A neoplasia intestinal consolidou-se como principal causa de estomias, mesmo após cura. Outros elementos como PH, gordura, microbiota, leucócitos, outras formas de amido, cristais, não estabeleceram relação com as variáveis nutricionais, cognitivos, depressivos e de qualidade de vida, Concluiu-se, portanto, existirem elementos, sob óptica nutricional, indutoras à perdas de funções cerebrais devido à ausência de suprimento bioquímico e fisiológico. Logo, para o público-alvo desta pesquisa, a expertise científica, pelos profissionais da enfermagem, gera benefícios cruciais para a identificação e manejo, conforme carências, dos pacientes com colostomia de cólon descendente.
Descrição
Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado para obtenção do grau de Bacharel, no Curso de Enfermagem, da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC.
