Estrutura da taxocenose de rapinantes em ambiente de restinga no Sul do Brasil

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Os Cathartiformes, Accipitriformes, Strigiformes e Falconiformes formam o grupo denominado de rapinantes e por ocuparem o topo de cadeias alimentares são consideradas boas indicadoras da qualidade ambiental. A fragmentação e a perda de habitat têm forte impacto sobra a distribuição, abundância e diversidade de rapinantes, prejudicando principalmente as espécies florestais. Na Mata Atlântica ocorrem ao menos 74 espécies de rapinantes, dais quais, 44 são florestais, 30 de ambientes abertos e oito são endêmicas do bioma. Em Santa Catarina, das 68 espécies de aves de rapina que têm registros confirmados, 50 são diurnas. A baixa abundância dos rapinantes na natureza dificulta a realização estudos, tornando-os escassos. Este estudo teve por objetivo analisar a estrutura da taxocenose de rapinantes diurnos na estação quente do ano, em um gradiente de paisagem rural-urbana, em ambiente de restinga na planície costeira sul catarinense. As amostragens foram realizadas mensalmente no período de outubro de 2017 a março de 2018, em uma transecção de 20 km dividida em duas partes (Área Norte e Área Sul), em função do tipo de cobertura e uso da terra e da distância da praia. A transecção foi percorrida de carro a velocidade de 15 a 20 km/h por dois pesquisadores. Todo rapinante avistado foi observado pelo tempo de 15 minutos e seu comportamento foi registrado. Durante este tempo, a nenhum outro rapinante foi dada atenção, exceto para o espécime alvo e os dados dos demais espécimes presentes foram contabilizados apenas para efeitos de riqueza e abundância. Os dados foram analisados em relação a riqueza, abundância, composição em espécies, diversidade, comportamento e uso do espaço. Com o esforço amostral de 120 km, percorridos em seis campanhas, foram obtidos 157 contatos de 10 espécies, pertencentes a nove gêneros e a quatro famílias. Falconidae (n = 4) e Accipitridae (n = 3) foram as mais ricas. Milvago chimango, Athene cunicularia e Falco sparverius foram as espécies mais frequentes e abundantes. A área Sul, caracterizada como área rural e com maior cobertura vegetal florestal, apresentou maior riqueza e número de espécies exclusivas em relação à área Norte, caracterizada como restinga herbáceo-arbustiva, com a presença de aglomerados urbanos. Oito tipos de comportamentos/atividades executados pelos rapinantes foram registrados, sendo forrageio, voo e descanso os mais frequentes, enquanto que alloprening e termorregulação os menos observados. Foi registrado em Athene cunicularia comportamento atípico para a espécie de forrageio por peneiramento, porém, este comportamento ocorreu apenas quando F. sparverius estava presente e executando-o. Os encontros agonísticos, embora não tenham sido muito frequentes, foram relativamente comuns, muitos dos quais, ocorreram entre os rapinantes e espécies não rapinantes. O estudo propiciou o acesso a dados importantes sobre os rapinantes que exploram a planície costeira sul catarinense, assim como, contribuiu para o preenchimento de lacunas importantes para subsidiar ações de conservação deste importante grupo de aves.

Descrição

Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado para obtenção do Grau de Bacharel, no Curso de Ciências Biológicas da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC.

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