O slow fashion como contraponto na liquidez: consumo de moda na sociedade contemporânea
Data
Autores
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Vive-se em uma sociedade que tem como característica o consumo desenfreado de moda, visando adquirir peças de preço baixo e baixa qualidade que possam ser descartadas em menor espaço de tempo, como forma de atender o sentimento de satisfação e felicidade. Em contraponto a este movimento fast fashion, surge o movimento slow fashion, mais preocupado com as questões de sustentabilidade. Este trabalho tem como objetivo analisar o slow fashion praticado por marcas de moda no contexto do consumo na moda na pós-modernidade. O problema que se busca resolver é: como o slow fashion se caracteriza enquanto consumo de moda na pós-modernidade? Para tanto esta é uma pesquisa básica, qualitativa e exploratória sobre os movimentos fast fashion e slow fashion, a identidade e o consumo na pós- modernidade. A coleta de dados é bibliográfica e documental. O estudo também analisa duas marcas de moda slow de Santa Catarina: Nathalia Agra e Ro Fumagalli. A análise foi feita a partir de um questionário com questões abertas aplicado com as marcas, bem como dados documentais, nos quais foram analisadas as coleções de ambas as marcas, suas campanhas e também seu material publicitário. A pós-modernidade é entendida como modernidade líquida, marcada pela fluidez e variabilidade, tendo como características a emancipação de homens e mulheres, a individualidade, o tempo e o espaço, o trabalho e a comunidade. O consumo de mercadorias relaciona a felicidade com a busca do prazer no ato de comprar compulsivo, assim como reflete a busca do reconhecimento pela sociedade. O fast fashion tem o propósito de satisfazer o público em geral e se caracteriza pela produção em grande escala, consumo e descarte rápidos, preços acessíveis para produtos de baixa qualidade que duram pouco e levam a compras frequentes. Nessa vida organizada em torno do consumo, tanto o ato de consumir quanto a moda e as relações são efêmeras, características da modernidade líquida. O movimento slow fashion traz uma nova forma de produzir a moda, com ênfase na sustentabilidade, preservando os recursos naturais, incentivando o trabalho manual, valorizando modelos personalizados, peças duráveis produzidas com qualidade em pequenas quantidades. Há uma discussão maior sobre o consumo por impulso e uma estimulação do consumo de peças chaves, dando origem a um novo consumidor, mais preocupado com as questões ecológicas, mais preocupado com o ser do que com o ter. Os resultados da pesquisa e das análises das marcas Nathalia Agra e Ro Fumagalli que se enquadram no slow fashion mostram que há toda uma preocupação com a questão ambiental, operando em escalas menores, respeitando a saúde das pessoas envolvidas na produção, uma mão de obra humanizada, processos artesanais, matéria prima de qualidade, descartes corretos e embalagens ecologicamente corretas, visando preservar o planeta. Na moda, as peças são feitas para durar, para serem guardadas e não descartadas, reduzindo o consumo. Vislumbra-se o slow fashion como uma tendência que veio para ficar e transformar a identidade dos consumidores.
Descrição
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para obtenção do grau de Bacharel no Curso de Tecnologia em Design de Moda da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC.
