Impercepção botânica no ensino superior no sul de Santa Catarina, Brasil
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A impercepção botânica, entendida como a dificuldade de reconhecer a relevância das plantas
na biosfera e no cotidiano, compromete a valorização das plantas em comparação aos animais,
resultando em impactos negativos na educação ambiental. Essa lacuna no reconhecimento
reflete uma perspectiva antropocêntrica e zoocêntrica, em que os animais frequentemente
recebem maior atenção. O objetivo geral da pesquisa foi analisar os efeitos da impercepção
botânica entre estudantes do Curso de Graduação em Ciências Biológicas da Universidade do
Extremo Sul Catarinense. Os objetivos específicos buscaram: a)investigar o entendimento dos
estudantes sobre os serviços ecossistêmicos fornecidos pelas florestas urbanas, bem como o
reconhecimento das espécies de plantas representativas do estado de Santa Catarina e do Brasil;
b) investigar a percepção dos estudantes sobre o reconhecimento de espécies de plantas e de
animais; c) diagnosticar o nível de conhecimento dos estudantes em relação aos vegetais e aos
animais, incluindo espécies nativas e exóticas invasoras; d) analisar a capacidade dos estudantes
em compreender e distinguir entre espécies de plantas e de animais, nativas e exóticas
invasoras; e) analisar o percurso formativo e docentes de Curso de Graduação em Ciências
Biológicas e a prática pedagógica adotada para o ensino de botânica e conservação da
biodiversidade vegetal. A pesquisa utilizou pesquisa quali-quantitativa, com coleta de dados
realizada junto a estudantes do 1º, 5º e 7º semestres e entrevistas com três professores em
diferentes estágios de carreira profissional. Para os estudantes, foram aplicados questionários
que abordaram a percepção sobre serviços ecossistêmicos e o reconhecimento de espécies
nativas e exóticas invasoras. Para os docentes, foi utilizado um formulário direcionado ao
percurso formativo. Os resultados indicaram que a impercepção botânica persiste ao longo do
Curso de Ciências Biológicas, embora seja menos pronunciada nos semestres mais avançados.
No entanto, mesmo os estudantes do 7º semestre demonstraram compreensão limitada dos
serviços ecossistêmicos, frequentemente restringindo suas análises a aspectos básicos e
fragmentados. A capacidade de reconhecer espécies nativas e exóticas invasoras também se
mostrou insuficiente, evidenciando lacunas na integração entre teoria e prática. Além disso,
constatou-se maior atenção dada aos animais em detrimento as plantas. As entrevistas com os
professores revelaram que a formação inicial dos docentes e os cursos de formação e de
capacitação influenciam na atuação docente. Os professores reconhecem que aulas
predominantemente teóricas e pouco contextualizadas dificultam o engajamento dos estudantes
e a promoção de uma visão integrada sobre a relevância ecológica dos vegetais. Conclui-se que
a impercepção botânica é um obstáculo significativo para a educação ambiental e a conservação
da fitodiversidade. Recomenda-se a adoção de práticas pedagógicas que combinem teoria e
prática, como visitas a herbários, hortos botânicos, atividades de campo e o uso de tecnologias
educacionais. Essas estratégias são essenciais para ampliar a compreensão dos estudantes sobre
os papéis ecológicos, econômicos e culturais das plantas, contribuindo para a formação de
profissionais mais preparados para atuar na conservação e na promoção da sustentabilidade
ambiental.
Descrição
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Ciências Ambientais
