Mapeamento de biótopos e o uso do habitat pela avifauna no entorno da Lagoa do Violão, Torres, RS, Brasil
Data
Autores
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Toda paisagem se modifica ao longo do tempo em resposta às pressões naturais e antrópicas as quais está submetida. Os organismos que a compõem buscam se adaptar a sua dinâmica espaço-temporal para sobreviverem e um bom exemplo de tais adaptações é o caso das aves em paisagens urbanas. A análise da composição da avifauna é considerada um parâmetro muito importante na avaliação da qualidade ambiental. A área de estudo engloba a lagoa do Violão e o seu entorno imediato, cuja localização se dá na área central da cidade de Torres, Rio Grande do Sul. A lagoa está rodeada por edifícios, áreas residenciais e comerciais e mesmo assim abriga uma avifauna diversificada. O objetivo do estudo foi avaliar a qualidade ambiental da lagoa do Violão e o seu entorno imediato como provedor de habitat para avifauna silvestre que explora o ambiente urbano, na cidade de Torres, RS. O mapeamento de biótopos foi realizado por meio da fotointerpretação das imagens aéreas datadas de 1957, 1974 e 2018, a partir das quais foram gerados, com auxílio do software ArcMAP, os mapas de uso e cobertura da terra. A coleta de dados sobre a avifauna foi realizada de dezembro de 2017 a agosto de 2018, durante dois dias não consecutivos por mês. Foi utilizado o método das Listas de Mackinnon para aves terrestres e do método de Contagem em Ponto Fixo para as espécies aquáticas e/ou que exploram ambientes aquáticos. O esforço amostral foi analisado por meio da curva do coletor, adotando-se os estimadores Bootstrap e Jack1, com 100 aleatorizações. A unidade amostral adotada foi a lista de 10 espécies para espécies terrestres e, cada contagem em ponto fixo, para as espécies aquáticas. A abundância relativa das espécies foi avaliada com base no Índice de Frequência nas Listas (IFL%) para as espécies terrestres e com base no número de indivíduos presentes nas contagens para as espécies aquáticas. As espécies foram agrupadas em guildas tróficas baseadas no consumo predominante de itens alimentares. O mapeamento de biótopos revelou a ocorrência de nove classes de uso e cobertura da terra nas três datas avaliadas. As classes áreas construídas e vegetação herbácea foram as que evidenciaram as mudanças mais significativas de 1957 para 2018, passando, respectivamente de 6% e 43,5% em 1957 para 38% e 6% em 2018. Com esforço de 67 listas e 32 contagens em 16 dias de campo foram registradas 57 espécies de aves pertencentes a 11 ordens e 25 famílias. A família mais rica foi a Thraupidae com sete espécies. Pitangus sulphuratus (IFL = 92,5%) e Furnarius rufus (IFL = 82,08%) foram as espécies terrestres mais frequentes e Nannopterum brasilianus (AR = 26,86%) e Egretta thula (AR = 23,88%) as espécies aquáticas mais abundantes. As guildas dos insetívoros (n = 20 espécies), onívoros (n = 12), piscívoro (n = 8), granívoros (n = 7) e nectarívoros (n = 6) foram as mais expressivas. Os resultados evidenciam que apesar das alterações antrópicas e modificações sofridas na estrutura da paisagem, a lagoa do Violão ainda abriga uma avifauna rica e abundante, destacando-se que a diversidade de guildas tróficas registrada se revela como um fato importante para o ambiente urbano, devido aos serviços ecológicos prestados pela avifauna presente.
Descrição
Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado para obtenção do grau de Bacharel no curso de Ciências Biológicas, da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC.
