Formigas em áreas com solo construído após mineração de carvão a céu aberto no extremo sul catarinense, Brasil
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O uso de formigas como organismos bioindicadores vem crescendo no Brasil, devido à alta sensibilidade destes organismos a distúrbios ambientais. Este estudo se faz importante para o conhecimento da comunidade de formigas presentes nas áreas com solos construídos e suas funções ecológicas. O estudo teve como objetivo conhecer a mirmecofauna em nível de gênero de três áreas com solo construído e comparar com um remanescente de mata nativa, localizadas ao Sul de Santa Catarina. As áreas de estudo pertencem à Empresa Carbonífera Criciúma e se localizam nos municípios de Treviso (A1 e A2), Lauro Müller (A3) e Siderópolis (A4). As áreas A1, A2 e A3 são áreas em processo de recuperação após mineração de carvão a céu aberto, com estádios sucessionais diferentes: A2 foi revegetada ao mesmo tempo que A1 (ano 2012), porém A2 apresenta solo alagado. A revegetação em A3 teve início em 2010. A construção do solo nas três áreas deu-se pela construção com camadas de argila e matéria orgânica. A área 4 (A4) representa um remanescente florestal em estádio avançado de regeneração natural. Para o processo de amostragem foram utilizadas 15 armadilhas do tipo pitfall em cada área, as quais ficaram expostas em campo por um período de 72 horas/estação do ano, ocorrendo entre março e novembro de 2014. Foram amostrados 20 gêneros, distribuídos em sete subfamilías (Myrmicinae, Ponerinae, Formicinae, Dolichoderinae, Ectatomminae, Dorylinae e Pseudomyrmecinae). Myrmicinae foi a subfamília com maior número de gêneros (nove), seguida por Ponerinae e Formicinae (ambas com três gêneros), Dolichoderinae (dois), Dorylinae, Ectatominae e Pseudomyrmecinae (com apenas um gênero cada). A área A1 apresentou 18 gêneros, seguida por A2 (11), A3 (13) e na A4 com 17 gêneros amostrados. As áreas A2, A3 abrigaram gêneros com características generalistas como Pheidole, Solenopsis, Nylanderia e Linepithema, que apresentam características como ninhos polidomicos, baixa agressividade interespecífica e alta agressividade no consumo de recursos. Tais características permitem grande plasticidade, adaptabilidade e competitividade às condições impostas por estes ambientes. Já as áreas A1 e A4, apresentaram um maior número de gêneros poneromorficos como: Hypoponera, Odontomachus, Pachycondyla e Gnamptogenys. Estes gêneros são predadores generalistas, sendo comuns em ambientes menos impactados ou mais heterogênicos. A presença destes gêneros predadores em A4 já era esperada, enquanto sua ocorrência em A1 deve-se, possivelmente, a uma maior cobertura de solo e desenvolvimento do estrato arbóreo, gerando assim uma maior heterogeneidade nestas áreas, além de possuírem certa proximidade com remanescentes florestais, os quais podem servir como fonte de espécies. Pode-se concluir que a composição dos estratos vegetais influência no estabelecimento da mirmecofauna.
Descrição
Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado para obtenção do Grau de Bacharel, no Curso de Ciências Biológicas da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC.
