Ayahuasca, um enigma contemporâneo: produção científica do uso terapêutico do chá
Data
Autores
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Ayahuasca é uma bebida indígena utilizada originalmente em rituais xamânicos. Devido ao ciclo da borracha no norte do Brasil no início do século XX, e consequente encontro entre seringueiros e índios, o chá ganhou novas formas de uso, sendo utilizado como veículo de concentração mental nas chamadas religiões ayahuasqueiras. O chá é formado pela associação de duas plantas, Psychotria viridis Ruíz & Pav., conhecida como Chacrona, e Banisteriopsis caapi (Griseb. in Mart.) C. V. Morton, conhecida como cipó Mariri. B. caapi possui as β-carbolinas (harmalina, harmina e tetraidroharmina), inibidoras reversíveis da enzima monoamina oxidase (MAO), e P. viridis contém a N,N-dimetiltriptamina (DMT), que se liga nos mesmos receptores da serotonina e é metabolizada pela MAO. Dessa forma, B. caapi ao inibir a MAO, torna disponível a DMT por via oral e a ingestão da bebida proporciona aumento nas concentrações de serotonina. Devido a expansão do uso do chá e relatos de melhora física e mental, os estudos sobre a capacidade terapêutica da ayahuasca vêm aumentando e a produção científica anexada em bases de dados eletrônicas. Logo, o objetivo deste trabalho foi desenvolver pesquisa bibliométrica referente ao uso do chá ayahuasca na terapêutica e sua produção científica mundial, a fim de obter esclarecimentos sobre o uso e ampliar a pesquisa científica sobre o chá. Foram utilizadas 5 bases de dados eletrônicas SciVerse Scopus, Science Direct, Web Of Science, Pubmed e Scielo. "Ayahuasca" foi o termo procurado no título do artigo, resumo e palavras-chave. A pesquisa se limitou aos trabalhos que foram publicados desde 1960 até o final do ano de 2014. O ano de publicação foi o indicador analisado bibliometricamente, buscando compreender o interesse e a expansão dos estudos sobre o chá na terapêutica. Ao longo de 54 anos de pesquisa houve um crescente aumento nos estudos sobre ayahuasca, totalizando 312 trabalhos. No período de 1960 a 1970 foram publicados apenas 4 estudos com abordagens antropológicas, e as décadas de 70 e 80 ambas apresentaram 11 trabalhos. Com o avanço de metodologias mais rigorosas, a década de 90 apresentou 20 estudos indexados e nos anos de 2000 a 2009, houve um aumento significativo das pesquisas, com 121 trabalhos publicados, visto que o uso do chá se expandiu para além da América Latina. Já nos anos de 2010 a 2014, 145 estudos haviam sido indexados, sendo 2012 o ano mais produtivo, com 41 trabalhos. Os estudos com o chá no tratamento contra dependência química destacaram-se dentro da linha terapêutica. Além disso, relatos de melhora em quadros depressivos após o uso da bebida sugerem a importância das β-carbolinas na modulação a longo prazo de serotonina, cujo déficit está relacionado com condições patológicas como depressão e ansiedade. Portanto, devido a seus princípios ativos, a capacidade da ayahuasca de agir em aspectos psicológicos profundos do indivíduo pode fazer da bebida um veículo para tratamento terapêutico e bem-estar físico e mental, possibilitando assim, novos estudos sobre sua eficácia terapêutica.
Descrição
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para obtenção do grau de Bacharel no Curso de Ciências Biológicas da Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC.
