Avaliação biológica do extrato de Calea uniflora Less. e de benzopiranos sintetizados do tipo Calea spp
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Calea uniflora Less. é uma planta nativa do Brasil, popularmente utilizada para fins antiinflamatórios.
A literatura relata outras atividades biológicas pesquisadas, como por exemplo:
leishmanicida e antinoceptiva. Então, este estudo teve como objetivo investigar o potencial
biológico do extrato hidroalcoólico das inflorescências de C. uniflora (ECU), bem como de
benzopiranos sintetizados do tipo Calea spp. A atividade anti-inflamatória do ECU foi avaliada
através do modelo de edema de orelha induzido por óleo de cróton, ácido araquidônico, fenol,
capsaicina e histamina, com tratamento de ECU por via tópica (1, 2, 4, 8 mg/orelha) e oral (100,
250, 500 mg/kg). O ECU também foi avaliado em relação ao seu efeito toxicológico através de
testes seguindo os guias da Organization for Economic Co-operation and Development 423 e
407 adaptado. As doses utilizadas foram de 100, 250, 500 e 1000 mg/kg/via oral e 2000
mg/kg/via tópica. Os benzopiranos do tipo Calea spp. (análogos do uniflorol-B), foram
sintetizados através de três rotas sintéticas distintas e avaliados em relação ao seu potencial
leishmanicida in vitro (Leishmania infantum). O tratamento com ECU apresentou atividade
anti-inflamatória reduzindo o edema causado óleo de cróton nas doses de 250 mg/kg e 500
mg/kg via oral, e nas doses de 2, 4 e 8 mg/orelha, via tópica. A dose de 4 mg/orelha via tópica
foi utilizada para os testes com os demais irritantes. Nos testes com edema induzido por
histamina e capsaicina, o ECU não foi eficaz para reduzir o edema. No entanto, o extrato reduziu
os edemas causados por fenol e ácido araquidônico. O ECU administrado em dose única por
via tópica obteve DL50 > 5000 mg/kg. O tratamento sub-agudo causou a morte dos animais nas
doses de 250, 500 e 1000 mg/kg/via oral. Os sinais de toxicidade observados foram: dificuldade
respiratória, aumento do peso dos pulmões, dano no tecido pulmonar e relaxamento muscular.
As três rotas sintéticas propostas foram eficientes para síntese de benzopiranos do tipo Calea
spp.. Os compostos foram divididos em três séries dependendo das modulações estruturais. A
série 1 é formada de derivados de 6-(1-hidroxietil)-2,2-dimetilcroman-4-ona, sintetizados em
cinco etapas: acetilação, rearranjo de Fries, ciclização, redução e esterificação. A série 2 é
constituída de derivados de 6-(1-hidroxietil)croman-4-ona, sintetizados em cinco etapas:
alquilação oxidação, ciclização, redução e esterificação. A série 3 é formada por derivados do
1-(2,2-dimetilcroman-6-il)etanol, sintetizados em três etapas: ciclização, redução e
esterificação ou amidação. Dos 10 compostos testados para leishmania, três apresentaram IC50
menor que 10 μg/mL, cinco compostos com concentração entre 15 e 30 μg/mL e dois
compostos com concentração maior que 50 μg/mL. Os resultados demonstram que o ECU tem
atividade anti-inflamatória por vai oral e tópica, sendo que o uso tópico agudo não causou
nenhum efeito tóxico. No entanto, o uso oral repetido, causou, dependendo da dose, a morte e
dano pulmonar nos animais. As rotas sintéticas propostas foram eficiente para síntese de
análogos do uniflorol-B, sendo que, alguns destes compostos tem potencial leishmanicida
relevante.
Descrição
Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade do Extremo Sul Catarinense para obtenção do Título Doutor em Ciências Ambientais.
