Análise da relação entre rugosidade superficial e resistência ao escorregamento de revestimentos cerâmicos submetidos ao desgaste
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Revestimentos cerâmicos são amplamente utilizados como pavimentos
tanto em ambientes residenciais como comerciais, incluindo áreas
externas, chamadas de áreas molhadas, áreas essas que poderão ser
utilizadas em situações úmidas/molhadas. Essa situação requer que esses
pavimentos possuam características que aumentem a segurança do
pedestre ao caminhar. Essa segurança é medida de maneira indireta pelo
coeficiente de atrito entre o revestimento cerâmico e uma borracha
padronizada. Porém no decorrer da vida útil do revestimento cerâmico
ele será continuamente atritado contra móveis, equipamentos e solados
de sapatos de pedestres, que provocam o constante desgaste da
superfície. Todo esse processo de abrasão tende a provocar o desgaste
da superfície cerâmica, reduzindo sua rugosidade e consequentemente
seu coeficiente de atrito. O trabalho analisou a relação entre a
rugosidade superficial, a resistência ao escorregamento e o coeficiente
de atrito de superfícies de revestimentos cerâmicos e pedras naturais,
bem como a evolução dessas características quando a superfície é
submetida ao desgaste. Foram avaliadas 11 superfícies diferentes,
incluindo revestimentos cerâmicos e pedras naturais, utilizando quatro
equipamentos diferentes, métodos como o DS - Dynamic Slip muito
conhecido no Brasil como método do Tortus, BOT, Rampa e Pêndulo.
Essa avaliação foi realizada analisando o desempenho do produto
através de testes de coeficiente de atrito por diferentes normas, além de
avaliar a rugosidade da superfície, antes e após o processo de abrasão
superficial. Além disso também foi avaliada a repetibilidade dos
resultados com os equipamentos de coeficiente de atrito utilizados no
trabalho.Dentre os métodos para determinação do coeficiente de atrito
utilizados nesse trabalho, por meio da análise de variabilidade dos
resultados se concluiu que o Pêndulo é o método que para a grande
maioria das superfícies testadas, tanto na condição seca quanto na
condição úmida, apresentou menor coeficiente de variação e, portanto,
menor variabilidade dos resultados.Também foi avaliada a relação entre
o resultado obtido com os equipamentos testados e a resistência ao
escorregamento percebida pelos pedestres, nessa análise o Pêndulo e a
Rampa apresentaram melhores resultados, com coeficiente de Pearson
próximo 0,946 e 0,970 respectivamente. Entretanto, a rampa apresenta a
desvantagem de não permitir realizar testes in loco e da grande
quantidade de amostras necessárias. Na análise de variância foi
comprovado, com nível de significância superior a 95%, que parâmetros
de rugosidade têm interferência nos valores de coeficiente de atrito
medidos.Com os testes de desgaste por abrasão superficial ficou claro que cada tipo de superfície pode adotar um comportamento diferenciado
frente ao desgaste, superfícies mais lisas tem seu coeficiente de atrito
aumentado no decorrer da evolução do desgaste, enquanto produtos
mais rugosos, como, por exemplo, produtos granilhados tem seu
coeficiente de atrito reduzido com o decorrer do desgaste. Através
desses testes foi possível perceber mais uma vez que o teste de atrito
com uso do Pêndulo possui maior sensibilidade para perceber diferenças
nas superfícies. Foi comprovado no decorrer dos ensaios de abrasão
superficial, que além de características como o coeficiente de atrito,
outras características superficiais se alteram, como a cor e o brilho da
superfície. No decorrer dos testes de desgaste as superfícies vão
perdendo gradativamente o brilho e se tornando mais esbranquiçadas.
Além disso, quanto maior o desgaste provocado nas superfícies maior é
a sua capacidade de reter sujeira, fato evidenciado pelos testes de
impregnação realizados.
Descrição
Dissertação de mestrado apresentada
ao Programa de Pós-Graduação em
Ciência e Engenharia de Materiais –
PPGCEM da Universidade do Extremo
Sul Catarinense – UNESC, como
requisito à obtenção do título de
Mestre em Ciência e Engenharia de
Materiais.
