O estigma que mata: os discursos sobre HIV/AIDS no jornal " O Pasquim" (SP) entre as décadas de 1980 A 1990

Data

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) surgiu como uma das doenças mais impactantes do século XX, desencadeando uma crise de saúde global e alterando significativamente a vida de milhões de pessoas em todo o mundo. Ao longo das décadas de 1980 e 1990, o HIV/AIDS atingiu o status de epidemia, e a mídia brasileira desempenhou um papel fundamental na construção dos discursos relacionados a essa enfermidade. Este estudo tem como objetivo analisar os discursos presentes no periódico "O Pasquim" de São Paulo, em relação ao HIV/AIDS e à comunidade LGBQIAPN+. A escolha desse periódico está fundamentada em sua afinidade com indivíduos considerados desviantes, como gays, lésbicas, militantes políticos, entre outros, e na maneira como esses grupos ocupavam diferentes espaços na revista. elencamos como objetivo geral analisar os discursos presentes na mídia brasileira sobre o HIV/AIDS entre os anos de 1986 e 1999, explorando o papel desempenhado pelo Pasquim na criação e difusão do imaginário coletivo. Os objetivos específicos deste artigo incluem: identificar e coletar reportagens sobre HIV/AIDS (1980-1990) no periódico Pasquim, digitalizado na Hemeroteca Nacional; identificar os principais discursos sobre a epidemia de HIV/AIDS presentes nas fontes coletadas; e analisar como as matérias jornalísticas se referiam à doença em termos de linguagem, representações e estereótipos. No aspecto teórico, serão empregados os conceitos das obras de Michel Foucault e Judith Butler. Foucault (1971) aborda a ideia de discurso em "A ordem do discurso", destacando que o discurso não é apenas uma forma de comunicação, mas também uma ferramenta de poder. Além disso, serão exploradas as questões de gênero apresentadas por Judith Butler. Para Butler (2003), o gênero não é uma característica inata, mas uma construção social e cultural repetidamente realizada e reforçada por meio de atos performativos, conceito denominado por ela como Performatividade de Gênero. Um vislumbre do que será concluído traz que o estigma em torno da epidemia de HIV/AIDS dificultou a busca por testes, tratamento e cuidados médicos, gerando medo e silêncio. A mídia, ao informar sobre a doença, perpetuou interpretações preconceituosas e normas de gênero, atribuindo a um grupo a responsabilidade pela doença, isentando outras formas de vida de comportamentos de risco.

Descrição

Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado para obtenção do grau de Licenciatura no curso de História da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC.

Palavras-chave

Citação